sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Quando chegam as tardes boas, que são aquelas de estarmos juntos, damos apenas dois dedos de conversa; que de mão cheia por ali, só mesmo os beijos



Quando chegam as tardes boas, que são aquelas de estarmos juntos, damos apenas dois dedos de conversa; que de mão cheia por ali, só mesmo os beijos.
E essas muito poucas palavras a que os lábios excepcionalmente cedem, ficam às duas por três a falar de amor, de paixão… com manifesta dificuldade em abordar uma perspectiva histórica: com o amor aqui dois passos (muito pequenos), tudo o de antes tem sabor a léguas de tal sentimento.
Mas deixamo-nos sorrir por entre esta doce incapacidade.
Depois, quando o sol já dobrou o horizonte e os copos de tinto já repousam vazios na mesa ainda posta, eu às vezes reclino a cabeça no teu colo como se fosse adormecer, e juro que diagnostico a perfeição nesses tão informais instantes.
A verdadeira estrada de um Homem despreza o asfalto, e assenta nos beijos e nas palavras que são expressão de quem o ama.
Então eu deixo-me ir… a passos largos.
Contigo e sem nunca adormecer, pelos instantes que são fruta doce e madura entrelaçada ao inverno frio dos dias de Janeiro.

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