terça-feira, 5 de abril de 2016

E então haverá mel colhido pelos meus lábios na fonte do teu sorriso com aromas de açafrão…


Por muito que Abril insista nas águas mil que lhe oferece a genética, jamais se desmanchará a primavera.
E nem sequer será apenas por quaisquer detalhes ou subtilezas que cumpre o calendário...
Há um destino inevitável de malmequeres que se pressente intensamente nos campos que por estes dias se espreguiçam verdes enquanto eu passo.
Eu sei...
Cedo ou tarde chegará o sol para aquecer a erva e nos oferecer um leito informal na sombra que roda levando-nos com ela como que bailando lentamente com o sobreiro.
O baile na roda que não desperdiça nem um só segundo de um dia inteiro, quando as nossas mãos deixam de doer de vazias.
E então haverá mel colhido pelos meus lábios na fonte do teu sorriso com aromas de açafrão.
E as palavras todas que deixarmos entre os trigais contarão a nossa história de amor e serão rubras de liberdade como as papoilas a que Abril liberta as pétalas que o vento desenruga depois pela perseverança das suas carícias.
É tão bom poder dizer que gosto de ti.
Estes são os dias bons de sermos completos e sem nada nem ninguém entre nós e a nossa voz.
Por mais intensa e persistente que fosse a chuva tingindo-nos os dias de água em lama e de cansaços...
Eu sempre acreditei que o destino me traria até aqui, à Primavera que trazes contigo nos beijos, ao tanto do sol de Abril que carregas nos teus braços.

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