segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Porquê chorar nas curvas da estrada em que não te vejo…



Porquê chorar nas curvas da estrada em que não te vejo, se eu sei que estes dias me levarão a ti…
Sei-o muito bem e pressinto-o em tudo, até porque se não fosse assim, eu jamais seria eu.
Nós somos tudo aquilo que buscamos e nada para lá do caminho nos pode oferecer identidade.
Entretenho-me então a decifrar os aromas que a montanha me oferece, e arrumo-os junto com as palavras que oferecem coerência ao desejo, tecendo as rosas que terei presas ao olhar quando chegares à casa que construí para nós.
Uma casa de pedra à sombra de um imenso carvalho, ao lado de uma fonte que o inverno abraça de água fresca.
Sei que chegarás numa tarde de Outono, talvez quando o campo já se tiver rendido em cor ao teu olhar.
Sei que o nosso primeiro beijo apagará a memória de todas as curvas em que não te vi.

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