quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Se o tempo tivesse asas...



Se o tempo tivesse asas, como usa tantas vezes pensar e dizer a gente, eu tomava agora mesmo um minuto e ia já ter contigo.
Mas não…
Eu sei que a paixão destrói irreversivelmente o sentido racional dos dias; e também os distende, como agora, enquanto fico por aqui e escrevo luas nos silêncios e flores sobre todos os inéditos desejos que revelaste em mim.
O choro mais triste é o de quem não tem caminho.
E como poderá querer ter pão quem nunca oferece as mãos à terra cravejada das silvas de onde só fugazmente colhe amoras?
Às vezes choro sentado numa pedra à beira da estrada que me leva a ti, mas é aquele líquido sorrir salgado de quem ama e sente saudades por entre os distendidos dias da solidão.
Sim, o choro de quem espera e te pressente nas praças de todas as cidades do mundo.
Mas todos os dias escrevo trigo fértil pelas madrugadas, quando as minhas mãos rasgam ribeiros robustos sobre a aridez de não te sentirem por perto.
Eu sei que o teu olhar sabe a pão. 

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