quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Contra-Informação

Ao fim de mais de uma década de presença nas nossas vidas, a RTP resolveu suspender o programa “Contra-Informação”.
Ao longo dos anos sempre me assumi como um entusiasta deste programa, apreciando, para além obviamente da componente caricatural dos bonecos, o facto de quase ao mesmo tempo da notícia, os seus autores conseguirem brincar, ter uma visão humorística de bom gosto, relativamente a todos os acontecimentos, positivos ou negativos, que se iam sucedendo em Portugal ou no mundo.
Por isso vou ter saudades e por isso tenho dificuldade em entender esta decisão, numa altura em que necessitamos todos de uma injecção de boa disposição, numa fase em que ansiamos todos pelo exorcizar de tantas desgraças com que diariamente nos deparamos.
Bem sei que não devia estranhar pois já sei que estes são tempos de informação a favor, tempos em que os políticos reagem muito mal à informação quando ela é do contra, e nem que seja apenas e só para divertir.
E pronto, lá voltaremos nós aquela velha e irritante máxima nacional de “muito riso, pouco siso” e a termos como companhia nos nossos serões televisivos mais uma telenovela de pobres e ricos ou de maus e bons, representada pelos modelos-actores que me fazem lembrar os teatrinhos do meu tempo de catequese, ou então algum concurso a puxar à cultura geral apresentado por algum acéfalo ou alguma galinha, que não fora por um auricular que lhe vomita as perguntas no eco do crânio, e seriam eles próprios a prova da ausência de qualquer cultura.
É esta a regra dos políticos e é esta sobretudo a lei do mercado dos detergentes, refrigerantes e demais produtos de grande consumo, que com os seus investimentos em publicidade conseguem moldar a programação das televisões. E se isto se entende nos canais privados, no canal público é inadmissível.Da minha parte continuarei a ter um livro ou um DVD sempre à mão para o momento em que a televisão me convidar apenas a desligar. Continuarei no fundo a ser do… contra.

1 comentário:

  1. Penso que não existe ninguém, de bom-senso, que não goste do "Contra-Informação", do seu humor civilizado e dos seus bonecos irreverentes e deslumbrantes, como caricaturas dos nossos mais ilustres representantes. Pois é. Mas como poderia o programa continuar com tamanha concorrência, diria desleal. Para mim, a grande razão para acabarem com o "C-I", foi o aparecimento do canal "Parlamento", onde grassa a contra-informação política profissional. Só que os bonecos não são tão interessantes, diria mesmo que não são bonecos nenhuns, serão quanto muito uns boçais sensaborões, mas enfim, são parte do país que temos.

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