segunda-feira, 11 de abril de 2011

Nobre, Povo? ou Presidente?

Três meses após ter disputado as eleições presidenciais afirmando-se como ícone da cidadania e acima dos partidos políticos, Fernando Nobre aceitou ser cabeça de lista do PSD pelo círculo eleitoral de Lisboa, com o rótulo de candidato a presidente da Assembleia da República, não se assumindo como candidato a deputado do PSD.
A cidadania, comprova-se mais uma vez, não é mais do que um argumento de marketing político tendo em vista o sucesso e a chegada ao poder.
Foi assim no passado com Helena Roseta, cabeça de lista de um grupo independente na corrida à Câmara Municipal de Lisboa, e hoje transformada em parceira de António Costa.
E foi assim com Manuel Alegre quando após ter mais de um milhão de votos nas presidenciais de 2006, tudo fez para ter sucesso nas de 2011, tendo vendido a alma a dois partidos tão opostos que acabou por criar uma explosão de efeitos negativos.
Fernando Nobre, escolhe agora uma via “contra-natura” para chegar ao poder pois estou certo, a sua base de apoio nas presidenciais, situou-se essencialmente á esquerda do PS.
Mas já deveríamos saber que em política tudo vale e que as contorcionistas do circo conseguem fazer com o corpo aquilo que os políticos fazem com a alma.
Não ficaria mal a Fernando Nobre, que tantas vezes falou de cidadania, ter a noção de que está a desvirtuar as regras do respeito básico pelos cidadãos pois sendo candidato a deputado por Lisboa deveria apresentar-se como disposto a ser a voz dos eleitores de Lisboa na Assembleia da República, quaisquer que fossem as circunstâncias, deixando para mais tarde, inter pares, a decisão de quem presidirá à Assembleia.
Mas isso só seria uma realidade se este fosse um tempo em que a ambição cega pelo poder não suplantasse largamente a honra, o respeito e a coerência. O que não é o caso, definitivamente.

2 comentários:

  1. Caro Joaquim, não posso estar mais de acordo com a sua reflexão, hoje mesmo dei comigo a pensar na solidez de outros políticos em que correram riscos, assumiram posições radicais, mas nunca cederam à tentação do Poder fácil, possivelmente uma geração rasca merece políticos rascas. Bem, sempre temos os amigos.
    Paulo E

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  2. Fernando, quê? Fernando Nobre? Quem é, alguma nova contratação do depauperado Sporting? Louvado seja, se vier por mal.

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