sábado, 30 de julho de 2011

A árvore no campanário


Se este é um espaço para partilha e para avivar memórias, tem sido com naturalidade que à sombra das laranjeiras deste Pomar, tenho puxado para a conversa, as histórias das vidas dos que me são queridos e próximos, as histórias que se cruzam com a minha própria história, e de que com grande orgulho e humildade, reconheço que estando presentes, me tornaram mais rico e melhor pessoa.
A minha mais assídua interlocutora nestas conversas e minha especial amiga Manuela faz hoje anos (eu sei mas não digo quantos), e hoje tomo a liberdade de a colocar no centro desta conversa, sendo não por acaso mas por mérito seu, um exemplo contrário a tudo o que falei no meu post anterior.
Quando há alguns anos atrás se nascia numa terra pequena como a nossa, à saída da maternidade, leia-se o quarto dos nossos pais que era onde nascíamos, já trazíamos connosco o nosso destino traçado e a marca do local até onde a nossa condição nos permitiria chegar. Embora muitas vezes disfarçada de histórias de nobreza familiar, a condição era dada pelo maior ou menor desafogo financeiro, porque neste mundo o dinheiro compra tudo até a história.
Perante isto eram duas as atitudes possíveis: a resignação e a luta por ir mais além e romper com o destino que nos era oferecido.
Quando penso na Manuela, e pensar nela é também pensar no seu marido e meu amigo José Maria, e reflicto no que sempre nos uniu tanto ao longo destes anos, identifico com clareza que foram as cumplicidades nesta luta de rasgar o Curriculum Vitae que nos era apontado como limite, escrevendo um outro mais pleno de ambição, legítima, e onde a nossa felicidade se pudesse cumprir.
Esta construção assente na ambição teve o mérito de ser norteada pela importância do ser antes do ter, porque é isso que faz quem tem fé e quem a vive em plenitude fazendo de Deus o seu Herói, e fazendo da palavra de Deus, a verdadeira Bússola que aponta o caminho.
Este querer foi traduzido em trabalho e muitos sacrifícios e abnegações e garanto-vos, jamais beliscou a felicidade dos outros, pelo contrário, olhou para ela muitas vezes em primeiro lugar.
Há alguns anos atrás, de visita a Samora Correia, deparei-me com a fachada de uma igreja onde estava implantada uma árvore.
Lembrei-me desta imagem para homenagear a Manuela e reforçar aquele que acho ser o traço mais forte do seu carácter: a perseverança.
Quando nós queremos, até das pedras fazemos terra para criar raízes e poder dar frutos.

2 comentários:

  1. Há palavras que nos cortam as palavras. De facto a Manuela é das pessoas, que conheço, que mais reclama e que mais continua a reclamar e a insistir por aquilo em que acredita. Muitas vezes vou por contágio. Há coisas em que, para mim, não vale a pena continuar a apostar mas, ela continua a acreditar, e eu estou com ela. Não a deixo só, nunca!
    A vida é feita de luta constante e todos nós, temos lutado para atingir o que temos hoje. Falamos nisto muitas vezes e louvo os que continuam a afirmar que a vida só é dura para quem é mole. Se paramos de lutar pelo que acreditamos e pela nossa felicidade, a vida perde o sabor. Temos que continuar a pisar o chapéu!
    Jose Barreiros

    ResponderEliminar
  2. Não tive oportunidade antes de comentar o teu post, porque, ao lê-lo, fiquei sem palavras! Precisei de o analisar bem e assimilar. Nem sempre me sinto essa pessoa que descreves, mas fico feliz se as pessoas encontrarem em mim esse exemplo. E agradeço-te pelo post! É mesmo um post de amigo! ;)

    ResponderEliminar