sábado, 30 de julho de 2011

Estrelas, anjos e heróis

Uma estrela da música internacional, dona de uma voz portentosa que de forma fulgurante a projectou para o firmamento da Soul Music, apareceu morta na sua residência. O mundo não estranhou a ocorrência pois há muito se habituara a vê-la viver na zona do risco máximo, os territórios para os quais as drogas e o álcool, são passaportes com visto incluído.
Passeio por Lisboa e vejo espalhados pela cidade, cartazes a anunciar um livro sobre um assassino confesso, jovem, modelo de profissão ou de ambição, que aguarda julgamento numa prisão americana. O título da obra é muito representativo, “A queda de um anjo”.
Numa via rápida que rompe as terras da Beira Baixa, ali para os lados de Proença-a-Nova, um jovem de 17 anos morre na madrugada, quando com o seu grupo de amigos, se entretinha a tourear carros a alta velocidade, filmando os momentos para posterior colocação na Internet.
Três momentos da minha semana, três momentos perturbadores e representativos do nosso tempo, o “tempo da fama”.
Há alguns anos atrás, ser famoso era a consequência natural do reconhecimento pelo mérito de grandes feitos, hoje a fama passou ela própria a ser o objectivo principal.
Para a alcançar, à escala planetária, nacional ou até local, passou a valer tudo e perdeu-se a noção do risco, do bom senso, do ridículo, do bom gosto, do respeito pela nossa vida e pela vida dos outros.
Quando um homem de skate em descida rápida por uma estrada e que é empurrado para a valeta por um carro que passa, é transformado em herói nacional via YouTube, com direito a destaque nos telejornais, acho que não necessitamos de mais exemplos do que vos falo.
No contexto deste “tempo da fama”, o poder reconhecido aos media é infinito e maior do que tudo, até maior do que a justiça, com as limpezas de imagem a pretenderem substituir os tribunais na hora de julgar e condenar.
É nos terrenos da imprensa e buscando o trunfo da opinião pública, que se joga este jogo do poder e do faz de conta.
E quando se atinge a fama?
Às vezes não se sabe bem o que fazer com ela.
Muitas vezes cria-se a ilusão do poder absoluto, de que tudo é possível e permitido, e que jamais chegarão as consequências negativas dos excessos, quer sejam de álcool, de drogas ou das velocidades.
Num jardim florido, uma roseira que pretenda dar as rosas mais viçosas e ser a primeira em fulgor e perfume, antes de se preocupar com os ramos que quer ver crescer, terá primeiro de se preocupar com as suas raízes e com a busca do alimento e água para que se nutra e sacie, evitando assim ficar-se pelas intenções e transformar-se numa ilusão.
Faltam raízes às vidas deste tempo…

Sem comentários:

Enviar um comentário