sexta-feira, 1 de junho de 2012

Criança

Em Vila Viçosa, na minha escola ali ao Carrascal, existe do lado direito junto ao muro exterior, uma oliveira discreta mas carregada de nobreza e sinais de eternidade, a quem o tempo ofereceu uns troncos raros e disformes que ela generosamente me entregou em muitas manhãs e tardes de recreio, para que eu pudesse voar para lá de todos os meus sonhos.
A minha árvore, o meu brinquedo único e perfeito, uma oliveira tornada avião à boleia da minha ilusão, para que eu cumprisse o privilégio de ser criança, o privilégio de ter o mundo todo dentro de mim na fracção de segundos de uns olhos fechados ao mundo e abertos à mais doce e intensa fantasia.
Hoje e sempre, cerro os olhos, com força, e procuro em mim a criança de olhar sereno e tranquilo, que sorria sempre e falava muito, o menino da oliveira da escola…
Encontro-o. Está vivo.
Morrerá comigo.
Sou eu.
Serei eu, sempre.
À procura e a construir os dias perfeitos, os dias de para lá do sonho.

Sem comentários:

Enviar um comentário