domingo, 10 de junho de 2012

“PORTUGAIS”


O fim de tarde está magnifico quando me dirijo para a missa das 7 no Mosteiro dos Jerónimos.
Corre uma brisa suave e brilha essa luz perfeita que só Lisboa e a beira Tejo nos conseguem dar.
Percorro a calçada entre o Museu de Marinha e a Igreja dos Jerónimos, fugindo ao amontoado de alcatifas verdes, imitação grosseira de relva, desvio-me do palanque com o símbolo do 10 de Junho que está colocado junto a uma marca PR assinalada a branco no asfalto, e assisto caminhando ao desmontar do circo.
O Portugal dos políticos levantou a tenda e estará pronto para a montar de novo e em breve num qualquer lugar perto de si, para por certo falar de esperança, de futuro e de Portugal.
Avanço e aproximo-me da entrada da igreja.
No chão há uma placa em pedra e contém as assinaturas de todos os líderes europeus que assinaram o Tratado de Lisboa.
Estão lá todos.
O circo dos políticos é nómada mas nunca abdica de deixar as suas marcas, nas calçadas, mas sobretudo nas nossas vidas.
Entro nos Jerónimos, e vejo o túmulo de Camões à direita. Tem flores frescas.
Camões, aqui e sempre será Portugal.
Portugal em coma, nos cuidados intensivos, mas com flores na jarra, oferecidas pelos parentes, falsos e hipócritas, que anseiam fazer fortuna sobre os restos da sua herança.
Recordo os discursos da manhã.
O Presidente fez como faz sempre, descarregou a consciência enunciando os problemas, mas sem nunca apontar caminhos para os desempregados, para os que passam fome ou os que não têm futuro.
Palavras ocas e sem coragem, sabem a pouco e não dão alento.
Num exercício de círculo fechado em torno de si, falou do seu tempo de primeiro-ministro para dar exemplos da coragem dos líderes europeus.
Teremos chegado aqui por acaso?
Não há responsáveis?
O presidente no seu melhor a assobiar para o lado.
Mas na manhã do 10 de Junho deixem que saúdo uma voz que veio da Universidade de Lisboa, da minha Universidade, o Prof. Sampaio da Nóvoa que sem medos e despido do politicamente correcto, falou dos vários “Portugais” que existem em Portugal.
Com coragem, encarregou-se de levar o verdadeiro Portugal para o palco do circo dos políticos hipócritas que nos ligaram às máquinas do coma profundo.
O Portugal que os políticos jamais saberão que existe. O Portugal que jamais quererão saber que existe.
Saio da igreja após a hora e pouco que pelo menos uma vez por semana, ofereço a mim próprio, de paz e de gozo do privilégio da fé.
Lisboa continua linda e corre persistente a brisa enquanto a cidade se prepara para se oferecer à noite.
Já não há restos de alcatifas pelo chão, há carros estacionados e a gente que parte para os afazeres das duras vidas dos onzes de Junho do verdadeiro Portugal.
Que não nos falte a fé e que para sempre se mantenha vivo Portugal.

3 comentários:

  1. GRANDE DIA PARA OS POTUGUES .
    MAS CADA VEZ, COM MENOS ESPERANÇA DE FUTURO
    RUI PEREIRA

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  2. GRANDE DIAS PARA OS PORTUGUES .
    MAS CADA VEZ , COM MENOS ESPERANÇA PARA O FUTURO
    RUI PEREIRA

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  3. Meu bom amigo, em Portugal o presidente só se refere a assuntos que são da responsabilidade do Governo e o Governo faz o inverso. Assim falam os dois e não actua nenhum. Eu não lhes chamaria políticos, chamar-lhes-ia simplesmente falsários, assim a modos que corsários, mas piores.

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