quinta-feira, 31 de março de 2016

Crescer nunca dói para quem tem amigos como tu



As pedras do imenso passeio em frente ao Café Framar conhecem-nos os passos desde o tempo em que os embrulhávamos no riso farto das nossas longas tardes de brincar, quando as sirenes das oficinas de para lá de São Bartolomeu nos apanhavam a tatuar cumplicidades sob o cheiro intenso das laranjeiras da Praça.
“Um, dois, três, macaquinho do Chinês”…
Sim, nós não conseguimos estar quietos nem por um segundo. Talvez só quando a tua mãe nos chame para partilharmos uma torrada e um fresco Sumol de Laranja que fomos buscar ao Café do teu pai, aquele estabelecimento que nunca cumprirá a tua vontade de se chamar “Café Pinguim”.
Mas conseguirás ter um cão.
E o que terá em comum a gaveta da direita do roupeiro do meu quarto de agora com o passeio em frente ao Framar?
Em palavras escritas nas longas cartas que trocávamos entre Portalegre e Lisboa nos tempos de Faculdade, a cumplicidade e o riso que persistem em infinitas histórias e no eterno non-sense.
“Imensa paprikaaaaa”…
O tempero da fé, as dúvidas, os amores, os planos, as viagens… Trazemos connosco tudo isso para a década dos nossos trinta anos e passeamos com a nossa história Corredora abaixo e Avenida acima, talvez ao som da música de algum Festival ou do Rui Veloso.
“Não há estrelas no céu”…
Há.
Partiram há pouco deixando aparentemente fechadas as janelas e as portas da casa que avistamos ainda hoje quando nos sentamos na esplanada do Restauração.
Mas nós sabemos e sentimos que as memórias dos dias bons do Sumol de Laranja suplantarão sempre esse detalhe de envelhecer que nos marcou a década dos nossos quarenta anos.
As memórias e quem amamos jamais nos deixam fechar as portas e as janelas das casas ou de qualquer sítio onde fomos felizes.  
As fontes e as raízes, a nossa história que persistirá adoçando-nos o futuro.
E assim chegámos ao dia dos teus cinquenta anos… de vida e também da nossa amizade, que eu não me recordo de um instante apenas em que não te tenha sentido muito perto e como o meu melhor amigo.
Manuel, muitos parabéns.
Crescer nunca dói para quem tem amigos como tu.

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