terça-feira, 15 de março de 2016

Tudo aquilo que muito se espera e se deseja beneficia de tempo para se ir moldando a nós e tornar-se eterno...



Despojamo-nos da prudência…
Será descalços que deveremos atravessar todos os dias, sentindo o tempo na pele e marcando-o simultaneamente com os genéticos aromas infinitos que transpiramos.
A História tatuando-nos de rugas e nós retribuindo, reescrevendo-a pela tinta da ousadia e pela coerência.
Mais à frente, naquele ponto onde a estrada desenha uma curva que nos alimenta o futuro de uma doce expectativa, encontro-te num abraço sem prazo de validade e sem fronteiras.
Onde acaba um e começa o outro?
Jamais saberemos. Nem nós e nem quem nos espreite de fora, quer de longe ou de mais perto; porque é como se tudo em nós seguisse respeitosa e cegamente a vontade expressa pela alma que tinge o pensamento.
Depois, quando o tempo bordeja um lago de águas calmas e que o céu tingiu de azul, o reflexo que desenhamos tem a força doce de uma romã a arrastar o rubor do Verão pelo Outono adentro.
Sabemos nós que no interior deste abraço moram os beijos. Os beijos imprudentes e também sem pausas.
Tudo aquilo que muito se espera e se deseja beneficia de tempo para se ir moldando a nós e tornar-se eterno.
E o sol tem sempre aquele tom amarelo de que tanto gostamos.

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