segunda-feira, 21 de março de 2016

Poesia



O vento, irreverente, livre… tatuou o céu; e os desenhos de água alinham-se em rima com as palavras com que o teu olhar me reveste o pensamento enquanto eu vou cavalgando pela tarde.
Esta espera fértil a que usam chamar esperança.
O teu olhar que espreita por todas as esquinas simétricas ou assimétricas do tempo e da cidade.
E são assim de água as sombras que me oferecem cais seguro enquanto te aguardo na Ribeira das Naus com o olhar fixo no horizonte…
Talvez o mar aceite esta troca: eu entrego-lhe generoso o sol e ele faz-te chegar até aqui cruzando o Bugio.
A barba vai aclarando ao ritmo do sal que escorre pela saudade que é imensa mas insuficiente para desalinhar-me a fé, até que tu chegas finalmente para deixares de ser apenas a minha espera.
O sol deixou a sua cor impressa na água que tinge o céu. Água do Tejo e de Lisboa.
E as palavras que fluem agora incansáveis dos beijos vêm arrumadas em versos de uma forma indefinida.
Entre a água, a cidade, a espera, a palavra, o sol, a tarde, todo o dia…
Eu sou um trovador cavalgando pelo tempo e tu és a poesia.  

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