quinta-feira, 16 de junho de 2016

A lua



De noite, quando às vezes me espreguiço, eu abraço a lua, e conto-lhe aos ouvidos os segredos que não revelo a mais ninguém.
Só a lua conhece o nome guardado entre o pó das rosas que adormeceram há tempo sobre a mesa onde nascem escritos os meus versos.
E enquanto a Terra se entretém a chamar e a entornar o mar sobre os seus braços de areia, a lua esconde-se nas sombras de quartos crescentes ou minguantes; ou então permanece destapada e grande, disponível mais do que nunca para o meu abraço.
Eu tenho em mim milhões de quilómetros de palavras de amor que se me soltam entre o teu nome, em segredo, enquanto me espreguiço quando a noite já vai muito para lá de meia.
E a lua que não desperdiça nem despreza uma só dessas palavras fica assim com mais área para as guardar, fica mais redonda e usa dizer a gente que está cheia.


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