sábado, 11 de junho de 2016

As flores que persistem nos colos onde nascem os poetas…



Nas últimas vezes que em Vila Viçosa desci a Avenida dos Duques de Bragança, passando a "Árvore do Coração" e quase em frente ao Convento da Esperança, reparei que ruiu o telhado da casa onde viviam os meus avós Francisca e Joaquim.
O eco do meu grito escada acima depois de colocar a mão pelo postigo e abrir o trinco da porta:
- Avóoooooo!
Estará assim algures já entre o sol e as estrelas das noites claras.
As casas de pedra caem para nos lembrarem que apenas se vive no amor e que os alicerces somos nós.
A minha mãe terminou a leitura do meu livro "Todos os Homens podem voar" e gostou muito.
Felicitou-me por ele e discutiu comigo alguns detalhes da história.
Nunca ninguém merecerá tanto as minhas palavras quanto a minha mãe; tanto do amor de que falo o li e aprendi no colo que o seu olhar doce me oferece nos dias felizes.
Os alicerces eternos e sábios.
Na casa da avó Francisca celebrava-se o mês de São Pedro com sardinheiras e cravos nos vasos das janelas que davam para o Rossio e para a Rua do Poço.
As flores que persistem nos colos onde nascem os poetas.

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