quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

As luzes de Natal...


As luzes de Natal oferecendo tectos ocasionais às ruas da cidade parecem querer contrariar o tempo que daqui até ao solstício se vai entretendo a distender a noite.

E às vezes estas luzes vencem as portadas opacas das janelas e rasgam as sombras do quarto onde nos rendemos ao silêncio, sem o mínimo gesto de resistência ao entardecer.

Que razões teríamos nós para temer a noite?

Na sala ao lado há um presépio em cama de linho onde um menino de barro repousa sob uma áurea coroa desembrulhada do algodão há não muitos dias.

Que achará Jesus do meu presépio enquanto espreita as luzes assassinas que rasgam a escuridão das noites de Aleppo?

Que dirá da vela perfumada que lhe coloquei aqui quando afagar as faces cansadas dos meninos que tentam ajeitar-se ao recanto mais doce de uma qualquer fogueira improvisada?

Que pensará de nós?

O "pecado" das religiões é a tentação dos Homens "oferecerem" a Deus a face das suas vontades, em vez de tomarem como sua a "face" de Deus. “Ajeitamos” o divino traindo o amor.

Somos ridículos e tontos, imperadores hipócritas tocando as "liras" enquanto o "mundo" arde; porque por mais que O puxemos para o veludo que nos cobre os dias de quase solstício, Jesus morre menino fugindo da noite e do pó das ruas sem tecto do Natal de Aleppo.

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