quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Quantos lápis e quantas cores...


Quantos lápis e quantas cores seriam necessários para pintar com justiça a cidade guardada num beijo?

Entre a geometria de ruas paralelas, perpendiculares ou diagonais num abraço de ângulos inéditos e improváveis, entre a irregular volumetria das colinas, as praças, as casas, as janelas… há um rio que corre lavando as margens, e que encontra o mar no ponto exacto onde o sol adormece para repouso da tarde e das gaivotas.

O frio de Dezembro não resiste às luzes e às palavras de Natal, e a cidade toma pela fé da gente, as velas e as asas que a fazem partir muito para lá do espaço a que usam chamar seu.

A cidade que mora num beijo é inacessível ao traço dos pintores e às palavras mais ousadas dos poetas, às cores; mas pela descrição que aqui faço, poderá pensar-se assim de repente que será Lisboa.

Pelas pontes, pelo casario…

É natural.

O tempo e o espaço saltam inteiros connosco para dentro do beijo que o desejo inventa ao fim da tarde… junto ao rio.

 

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