sábado, 21 de maio de 2011

Papoilas saltitantes


Não há melhor momento do que a adversidade para temperar de sinceridade e verdade, a declaração de um grande amor.
Por isso, no meio do azul das vitórias sem fim do Futebol Clube do Porto, o que me sai da alma e partilho convosco é de que nasci a amar o Benfica, vivo a amar o Benfica e morrerei por certo a amar o Benfica, sempre com a força das coisas que o nosso coração rotula de eternas e indissociáveis da própria vida.
Quando recordo a infância, e apesar de ter um pai sportinguista que adoro, não me recordo de não ser do Benfica.
Poderão ter sido os golos do Eusébio, as vitórias sem fim nos campeonatos dos anos sessenta e setenta, poderá ter sido o benfiquismo do meu tio Zé Boquinhas nos serões inesquecíveis em que preenchíamos o boletim do totobola com a ajuda de um pequeno pião de plástico com 1X2, mas que só usávamos para os outros jogos porque o Benfica ganhava sempre…
Poderão ter sido os amigos, maioritariamente encarnados na hora de escolher o clube…
É óbvio que todas estas razões poderão ter contribuído para o meu benfiquismo, mas não chegarão nunca para o explicar, porque um amor assim não se entende à luz da razão e não se justifica por coisas tão objectivas e palpáveis.
Está muito para além disso.
Um amor assim, maior do que a razão e enraizado no mais fundo da alma, será sempre imune a presidentes e dirigentes incompetentes, a jogadores sem nível e com falta de aplicação, a treinadores novos-ricos e armados em importantes só porque ganharam uma vez, a Robertos franganeiros ou a Cardosos toscos…
Um amor assim jamais se ressentirá de ondas azuis, verdes ou de outras cores e jamais sucumbirá às mãos dos Pintos da Costa cuspidores de ódio…
Perante um amor assim tudo sempre parecerá demasiado insignificante.
Ninguém nunca destruirá a força das papoilas.
SLB para sempre!

1 comentário:

  1. Pois é, meu caro Joaquim, ser benfiquista não tem, realmente, a ver com presidentes (que tanto servem o clube, como se servem dele), ou com treinadores (como o que temos e até é sportinguista), ou até com os jogadores (que quando se transferem, dizem que sempre foram deste clube, desde pequeninos, e andam sempre à espera de sair para outros lados). Ser benfiquista, como muito bem disse o Joaquim, é saber ganhar, saber perder, sofrer e festejar, apenas pelo prazer ou pela tristeza do acontecido. Por isso, nós os benfiquistas, que já fomos um dia a glória deste país, nos podemos sentir tristes com alguns profissionais que não se mostram à altura de pertencer a este escol desportivo. Podemos não ser os melhores, mas exigimos que sejamos conscientes do nosso valor enquanto clube de eleição. E eu que até sou filho de benfiquistas, fui criado a amar este clube e é nele que me sinto bem. Viva o Benfica e tudo o que ele significa.

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