segunda-feira, 9 de maio de 2011

“Quando mal, nunca pior” ou a inexplicável rendição à mediocridade

Como povo, o triste fado está colado ao nosso ser, tornando-nos submissos em relação a um destino que invariavelmente é negro, e que negro aceitamos encolhendo os ombros, recusando reconhecer em nós qualquer poder que de forma activa nos possibilite trilhar caminhos mais positivos.
Habituámo-nos em demasia ao estatuto de pobres e marginalizados e não conseguimos jamais deixar de olhar para o futuro com as lentes do nosso negativismo crónico.
“É a vida”,”não há nada a fazer”, “vamos indo, menos-mal”, “pelo menos haja saúde”, são frases repetidas até à exaustão no exercício diário do conformismo que elevamos ao seu expoente máximo e que até nos faz desconfiar sempre que parece soar algo de positivo.
Mesmo quando nos sentimos bem, temos vergonha de o assumir, temos pudor, porque sabemos que o paraíso para nós é uma fugaz passagem. A perspectiva para um qualquer português é de que a sua viagem irá acabar sempre na estação da desgraça.
Nas sondagens relativas às eleições de 5 de Junho que foram publicadas este fim-de-semana, mais de 70% dos inquiridos classifica a actuação do governo de José Sócrates como má ou muito má, continuando no entanto a dar-lhe uma maioria relativa de votos para que siga no poder.
“Quando mal, nunca pior” ou a inexplicável rendição à mediocridade.
Jamais alinharei neste negativismo e jamais me demitirei de acreditar que o amanhã possa ser diferente., afinal de contas “quem não arrisca, não petisca”.

1 comentário:

  1. Caro Joaquim, é realmente admirável a sua perseverança e credulidade num futuro melhor e, na minha opinião, o meu amigo tem feito mais pelo futuro do país do que o seu prezado Passos Coelho. Não sei se é por causa dos "coelhos" desta vida, não consigo acreditar nesse nem nos outros. Certamente se lembra que há seis anos quando o Santana foi corrido, bem ou mal para o caso não interessa, logo se formou uma maioria esperançada que Sócrates traria paz e tranquilidade ao nosso simpático país. Depois foi o que hoje se sabe. Agora teremos de acreditar que desta vez é que é. Para dentro de três anos vermos que ainda estamos pior. Nem é o caso de não acreditar no plano do FMI & congéneres, é mais o não acreditar nas condições portuguesas de executar tal plano. mais uma vez o digo: não é do FMI que precisamos; é mais de um FBI. E pode chamar-me desmancha-prazeres. Boa-sorte.

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