domingo, 25 de setembro de 2011

Acertar o passo

O Papa Bento XVI encontra-se em viagem pela sua Alemanha natal e nos discursos e homilias que já proferiu, para além de ter classificado de “chuva ácida” o nazismo e o comunismo, encontrou-se com algumas das vítimas da pedofilia em instituições católicas, tendo-se confessado perante elas “comovido e abalado”.
Ao mesmo tempo e num encontro de jovens, o Papa afirmou que a Igreja jamais poderá aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Começa a ser um hábito estas desculpas tardias da Igreja e dos Papas relativamente a situações negativas do passado.
Se o combate ao comunismo foi recorrente no tempo em que a cortina de ferro dividia a Europa, não consta que Pio XII tenha sido veemente nas criticas e no combate ao nazismo quando milhões de judeus eram perseguidos e mortos na Europa, nem tão pouco se assistiu à implementação de medidas duras logo que a questão da pedofilia começou a ser denunciada em algumas instituições católicas.
As desculpas não se pedem, evitam-se.
Os tratamentos mais eficazes são os profilácticos e não os paliativos.
Mas para isso, é necessário acertar o passo com o tempo e viver o momento presente.
Não sei quanto tempo levará e nem sei sequer se estarei vivo na altura, mas estou certo que daqui a alguns anos, um Papa do futuro virá lamentar e pedir desculpa pela incompreensão e insensibilidade manifestada para com os homossexuais que resolveram assumir a verdade das suas vidas e que não abdicaram de dizer sim à vivência do sentimento mais completo e maior do universo: o amor.

1 comentário:

  1. Se ligarmos os teus dois últimos posts, vemos o quanto a Igreja, portanto também tu e eu, tem que pensar para fazer o que o Papa João XXIII chamava de "aggionamento".
    O documento conciliar Sacrosanctum Concilium resume o espírito do aggiornamento assim: "fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições susceptíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo, e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja". (SC, n.º 1).

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