sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Contrastes

O frio corta de tão intenso quando saio à rua pela manhã, mas mirando muito para lá no horizonte como quem procura a Ponte e o Cristo Rei, não paro de me surpreender com a intensidade de um sol resplandecente de um tom forte de amarelos e vermelhos.
O carro está gelado, o volante intocável de frio, mas lá está ele redondo e em todo o seu esplendor. Daqui a algumas horas, aliviará o frio.
O frio e o sol.
O telefone tocou pela hora de almoço e anunciou que o momento do adeus que há dois meses andamos a tentar em vão adiar, está inevitavelmente perto. Não sei se chore, se deva rezar… Mas esta anunciada partida dos que amamos é uma amputação programada de uma parte de nós mesmos.
Conscientes, estamos à espera do momento em que morreremos também um pouco.
O telefone tocou e num turbilhão de palavras empenhadas em entender a festa do coração, falou incessantemente de amor. E amor afinal nada mais é do que vida. A minha vida.
Chego a casa cortando com o rosto o frio da tarde e recordo este momento há quarenta e um anos atrás. Nascia-me o meu único irmão e apesar dos meus cinco anos de então, eu sempre soube, acabara de nascer uma das partes mais belas e fantásticas de mim.
A morte e a vida.
De contrastes se fazem os dias.
Mas que nunca o amor se nos vá…

2 comentários:

  1. O amor verdadeiro nunca se vai, seja o amor aos que partem, aos que estão, ou aos que chegam.Quando o sentimento é real, permanece para sempre.Um abreijo

    ResponderEliminar