domingo, 13 de maio de 2012

Cuidados paliativos

Confesso-vos que sou por natureza, um optimista, e mesmo quando me sinto cair, acredito sempre que estou a meio de um processo de tendências positivas, num movimento que me oferecerá o balanço para chegar mais alto. Recusando as visões catastróficas e negativas, olho sempre um copo meio de água na perspectiva de meio cheio.
Porém, e apelando ao bom senso, tento temperar de realismo esta perspectiva positiva pois um optimista que não o faça, arrisca-se a ultrapassar a linha da insanidade mental, expondo-se à situação do “totó” e do “parvinho contente”.
O nosso primeiro-ministro é como eu, um optimista, e tem, pelas suas afirmações mais recentes, uma perspectiva positiva do desemprego, reconhecendo que ele carrega a oportunidade para qualquer cidadão mudar de vida e chegar mais longe.
O problema é que se esqueceu de temperar o seu optimismo com o bom senso, e mais do que isso, com o respeito e o sentido de estado.
O desemprego atinge em Portugal números nunca antes vistos e arrasta para situações de pobreza muitas vezes extrema, indivíduos e famílias que lutam desesperadamente pela sua sobrevivência, numa fase da vida em que era expectável, pelo seu curriculum de cidadãos e contribuintes exemplares, não serem beliscados na sua dignidade.
Perante este flagelo do desemprego, exige-se a um primeiro-ministro que aponte soluções, e que congregue os esforços de toda a sociedade civil, para que o emprego cresça de forma eficaz.
No quadro actual, afirmar que o desemprego é uma oportunidade, é uma manifesta falta de respeito por todos os concidadãos, é uma declaração de rendição e é passar a si próprio um atestado de incompetência relativamente à resolução deste problema grave, talvez o mais decisivo na sociedade portuguesa actual.
Assemelha-se esta atitude à de um médico que perante um problema sério de saúde e que implique morte iminente, se limita à prescrição de cuidados que minimizem o sofrimento porque para além disso nada mais há a fazer.
Só que neste caso, os “TACs”, “Radiografias”, “Ressonâncias” e “Análises Clínicas” do meu optimismo e da minha esperança, me dizem que pode haver solução, recusando-me eu a aceitar a inevitabilidade de um desfecho negativo e a alinhar apenas nestes cuidados paliativos.
Talvez tenhamos é de mudar de clínica, de tratamento e muito possivelmente de médico.

3 comentários:

  1. Atitudes e frases, como esta do nosso 1º ministro, só podem vir de quem nunca soube o valor e a dignidade do trabalho, de quem fez o seu percurso profissional baseado na carreira politica e na "cunha" e que nunca irá sentir "na pele" o fardo de ser um desempregado porque sabe que, quando deixar a carreira politica, terá sempre um lugar numa qualquer administração de uma empresa.

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  2. Pedrito, esquece-se de que um desempregado com a idade de 40 ou mais anos, tem uma ínfima probabilidade de encontrar trabalho do que um congénre mais novo! As oportunidades são diferentes. Neste contexto esta declaraçâo Só pode ser de mau gosto! :-((

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  3. Vou falar de duas coisas importantíssimas na vida de qualquer pessoa: planejamento e esperança.

    Planejar significa responsabilidade com a vida e com nós mesmas. Idealizar um plano, elaborar, programar. Significa também fazer um balanço do que somos, temos, queremos e colocar em prática esses fatores para atingirmos nosso objetivo, ou seja demonstra intenção para atingir uma meta. Ninguém planeja nada se não houver qualidade de vida no que está sendo proposto. E esperança. Noutro dia escutei de uma médica muito querida que a esperança, ao contrário do que se diz é a única que não morre.

    RUI PEEIRA

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