sábado, 19 de maio de 2012

Gargalhadas de vida

Sempre esse maldito i-phone colado ao teu ouvido, até parece que já nasceu aí.
Gosto quando o desligas e te sentas aqui comigo na esplanada para tomar um café.
Falamos da vida, falamos de nós sem nos pormos rótulos e sem camuflagens gozando desse prazer supremo que é poder ser nós mesmos e saborear a liberdade e a verdade.
Partilhamos as viagens. Tu não paras e o mundo para ti já é demasiado pequeno, tantas vezes o sobrevoas. Recomendas-me o hotel de Berlim, os restaurantes de Amesterdão. Falamos da Espanha que nos encanta, das Tapas, da Mónica Naranjo, de Almodovar, da Chueca… Falamos dos finais de ano em Time Square.
E trabalhamos muito. Com o Esteves, a Cristina, a Alexandra, a Margarida…
Adoramos o que fazemos e estamos focados no êxito porque não somos feitos da raça de perder. Combinamos as tácticas, os projectos e metemos mãos à obra sem medo e sem perder tempo. Da nossa energia sabemos que nascerá o sucesso do sul, do Alentejo que é meu por berço e teu por adopção.
E é no sul, em Évora, Beja ou Faro, que noite dentro e após o trabalho, nos juntamos ao Santana, ao Vinagre, à Teresa, ao Estevão, ao Amaral, aos Nunos e ao Mário, para celebrar a gargalhadas, o êxito e a amizade fantástica e confortante que nos une a todos.
As tuas gargalhadas insuflam-nos vida.
A vida que tu carregas e de que não desistes nunca.
Encontrámo-nos há pouco quando já há meses os nossos trajectos profissionais tinham sido separados.
Falas-me da vida, do futuro, do regresso à universidade.
Lembramos todos os amigos, para dessa fonte da memória matarmos a saudade dos bons tempos antigos.
Mas meu amigo, jamais nos ocorreu em todo este tempo, que quem vive assim tão intensamente e dessa forma tão entusiasta se entrega à vida, torna-se maior que a própria vida e cedo conquista o estatuto da eternidade, partindo cedo para o destino dos grandes, dos únicos.
Aqui na terra, ficas em nós porque jamais morrerá o eco da felicidade que deixaste em cada um.
Até sempre, até um dia, meu amigo Pedro.
We will miss you!

4 comentários:

  1. Bela mensagem de desespero, caro Joaquim. A vida foge-nos a todos, todos os dias. Agora calhou ao Pedro Marcelo, amanhã caberá a outro, sem misericórdia. O problema é esta maldita desesperança que nos esmaga. Um abraço.

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  2. Joaquim, desculpe a minha intromissão neste post, pela relevãncia triste que o mesmo encerra. Mas penso que os seus amigos vão apreciar. Veja esta notícia e diga lá se não merece uma das suas brilhantes dissertações?

    Durante o fim-de-semana 13 lojas deste concelho (Borba) vão aceitar as velhas notas de escudo como meio de pagamento.



    «Há ainda aí muita gente com escudos» diz Francisco Ferrão, gerente de uma cervejaria no centro de Borba. «Um senhor que teve de trazer o pai, que já é velhote, para a sua casa, contou aqui, que nas arrumações descobriu 50 contos num casaco dele».

    A convição de que «os escudos andam por aí» é tal que Francisco Ferrão decidiu abrir a sua cervejaria no habitual dia de descanso, o domingo. Mas até ao início da tarde deste sábado ainda não tinha visto «a cor» das velhas notas. «Já várias pessoas me disseram 'tenho lá as notas e tenho das trazer para trocarmos' mas até agora ainda não apareceram».

    Do mesmo se queixa Luís Lopes. «Eu acho que é uma boa iniciativa para divulgação, mas não apareceu ninguém para trocar as notas». Este empregado de comércio continua a fazer as contas e a etiquetar todos os produtos na moeda europeia. «Nós fazemos tudo normalmente. Se aparecer alguém fazemos a conversão».

    Há 17 anos a trabalhar no negócio do pai, Luís Lopes partilha da convicção de que ainda há muitas notas de escudo por trocar. «Há os que não se querem desfazer deles» ironiza, «mas outros querem ficar com uma recordação». Afinal ainda há muita gente que faz as contas em escudos «especialmente os mais velhos», mas mais novos «nem sabem o que é» diz Luís Lopes.

    Promovida pela Câmara Municipal, a «Iniciativa escudo» decorre durante todo o fim-de-semana em Borba. As notas aceites vão dos 100 aos 10 mil escudos, sendo posteriormente trocadas na agência do Banco de Portugal, em Évora.

    Um abraço.

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  3. Amigo, soube hoje o que aconteceu com o Pedro. Tens razão em toda a linda homenagem que lhe fazes, em todo o teu carinho e entusiasmo triste. Vamos sentir a sua falta e o mundo fica mais triste. Um beijo para ti e todos os que choram a sua falta.
    Margarida

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