sábado, 12 de novembro de 2016

Aproveitando a ousadia que mora nas madrugadas…



Aproveitando a ousadia que mora nas madrugadas, eu pintarei um dia inteiro de azul e sairei depois a voar contigo.
Sobre os montes, o preconceito, os medos e sobre o tempo, essas horas que os beijos estreitam e a saudade dilata.
Haverá laranjas a espreguiçarem-se maduras, romãs a explodirem grenás no verde matizado do Outono, o voo atento do melro ainda moço na encosta que mira ao sul.
A história de um Homem é a memória dos seus beijos num voo assim tranquilo sobre o tempo como Redford e Streep sobre a savana em brasa.
Talvez nos lembremos mais dos beijos que não terminámos do que dos outros que chegaram aos lábios e fizeram entorpecer as palavras.
Num dia assim tingido de um intenso céu voltemos à casa onde os beijos adormeceram e esperam que os resgatemos desse ser tão só uma intenção.
Talvez o melro já tenha descoberto o tom rubro da romã...
Nunca chegaremos tarde quando se trata de acertar a nossa história. Para isso vem carregada de ousadia cada manhã.

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