sábado, 27 de fevereiro de 2016

A menina que construía girassóis com as palavras...



Na terra onde os pardais passam a primavera a brincar com as laranjas das árvores que adornam os passeios, existia uma menina com o inevitável nome de Maria, que vivia numa rua muito larga ladeada por casas imensas e com portas grandes onde tartarugas de metal serviam de puxadores e "campainha" para chamar os vizinhos.
Nas portas fechadas, porque aquela que dava acesso à casa da pequena Maria estava quase sempre aberta, e era o cão que dormitava no tapete, que se espreguiçava ladrando ao ver-nos por perto, alertando os da casa que alguém se preparava para entrar.
Entre risos e as gargalhadas mais sonoras da rua, a Maria era feliz e brincava com todos os outros meninos, apercebendo-se no entanto que eles cresciam mais do que ela; o que às vezes a deixava triste.
A mãe, pessoa sábia e generosa, vendo-a assim apreensiva, oferecia-lhe palavras bonitas, ensinando-a a juntá-las para construir enormes girassóis onde ela se montava depois às cavalitas, ficando bem mais alta do que os outros meninos.
A sorrir entre essas flores que guardam em si o esplendor do astro-rei.
Tudo isso se passava nas tardes fantásticas da Rua dos Fidalgos, onde às vezes uma fada de nome Eugénia chegava para fabricar compotas que perfumavam a cozinha decorada com azulejos azuis e brancos.
E o tempo passou...
A mãe e a fada partiram para o Céu, que é privilégio de quem é especial, e a menina tornou-se uma mulher... muito grande à boleia dos seus girassóis e das infinitas palavras que guarda com ela num lugar secreto mas infinito.
Uma mulher grande que nunca deixará de sorrir e dar gargalhadas.

A minha amiga Maria José Duarte, a Zinha para todos nós, faz hoje 50 anos. Encontrei-a em Vila Viçosa na tarde do último sábado e voltei a pedir-lhe um mote especial para um texto-presente que eu escreveria aqui no Pomar.
Respondeu-me que não tinha nada para me mandar, e não me surpreendeu pois conheço-a desde o Jardim Escola da Irmã Celeste e sei que ela é mesmo assim, sobretudo modesta.
Criou-me então o desafio de arranjar uma forma eficaz de dizer aqui que sendo ela a mais pequena de entre todos os amigos, é indiscutivelmente a maior.
Saiu o que leram e que eu faço acompanhar por um beijo especial de parabéns.

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