sábado, 20 de fevereiro de 2016

E quantas palavras tomo eu do mar nessas manhãs de inverno em que ando pelas praias, incessante, a procurar-me?


Trouxe comigo no porão entre os meus segredos, um bolbo de estrelícias a que tu oferecerás terra, água, cuidados... e o sol que todos os dias beija a tua janela.
Veio ali aconchegado entre o tanto de mim que floresce quando os teus beijos tomam a forma de um arado e rasgam a letargia da terra, o chão adormecido da minha espera.
Por mais que a Terra dê razão a Foucault e imite o seu pêndulo, girando sobre si mesma e ao redor da luz, a verdade é que nem todos os dias se vestem de sol.
Há instantes em que as nuvens escondem o azul do Atlântico, não conseguindo no entanto calar a voz das ondas que o vento amplia num eco imenso em tons de cinza.
Monásticos segredos revelados…
E quantas palavras tomo eu do mar nessas manhãs de inverno em que ando pelas praias, incessante, a procurar-me?
O azul onde persistimos, os bolbos das flores que um dia se espreguiçarão ao sol da tua janela.
Estrelícias… em nome da rosa ou de todas as outras flores. 

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