quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Um Santo, uma Rainha, um Thriller e um especialíssimo dia 3 de Fevereiro



Não são comparáveis em qualquer escala, sobretudo no impacto que tiveram  e têm para estes meus quase cinquenta anos.
Na série “O melhor de…” partilho hoje convosco dez emoções em outros tantos momentos daqueles que não se esquecem.
Uns totalmente inesperados e outros para os quais até comprei bilhete.

UM SANTO A PASSAR-NOS À PORTA
Na manhã do dia 14 de Maio de 1982, o Papa João Paulo II visitou Vila Viçosa e passou literalmente pela porta da nossa casa.
Não me deitei e passei a noite no Castelo com os meus amigos. De manhã e depois da Celebração da Palavra, juro que cruzei o meu olhar com o do Papa ali à esquina da Casa dos Cantoneiros.
Já terei cruzado o meu olhar com o de muitos Santos anónimos, mas este tocou-me especialmente.
Uma paz que soube a beijo do Céu.

UM THRILLER EM MILÃO
No final de uma tarde de Junho de 1997 ao chegar ao Hotel Principe di Savoia, em Milão, tive de fazer prova de hóspede para poder ultrapassar a barreira policial.
Michael Jackson estava a chegar ao hotel onde nessa manhã já tínhamos encontrado o Brian Adams na sala do Pequeno-Almoço.
Fiquei na recepção e o “mito” passou por mim de sobretudo vermelho e mascarilha preta de cetim.

O MEU POMAR DAS LARANJEIRAS
É como plantar uma árvore…
No dia 23 de Novembro de 2012 apresentei na livraria da Fábrica de Braço de Prata, o “Pomar das Laranjeiras”. O meu primeiro livro.
A magia das nossas histórias fica tão especial quando elas são contadas pelas palavras impressas e com cheiro de biblioteca.

UM JANTAR NO GRÉMIO LITERÁRIO
Por uma daquelas coincidências fantásticas da vida, fui há alguns anos jantar ao Grémio Literário, ficando sentado numa mesa redonda com umas doze pessoas, mas tendo ao meu lado o Doutor Gentil Martins.
Para lá das conversas envolvendo todos os comensais, tive também a oportunidade de dialogar com o meu “vizinho”, que há relativamente pouco tempo tinha separado com êxito duas gémeas siamesas.
Falando da minha admiração profunda pelo seu trabalho, ele responde de forma simples, explicando-me órgão a órgão, a lógica que tinha seguido na cirurgia.
- Estava tudo lá e eu limitei-me a interpretar e a pôr as coisas no seu sítio. É quase sempre assim relativamente àquilo que parece estranho e difícil.

QUANDO UMA CIDADE ESMAGA A NOSSA CAPACIDADE DE A IMAGINAR
Cheguei a Veneza com o Juan Blas e apanhámos o Vaporetto junto à Estação de Santa Lucia seguindo pelo Grande Canal. Nessa primeira visita à cidade procurámos o hotel, pousámos as malas e seguimos depois pelo emaranhado de ruas estreitas até chegarmos de repente à Praça de São Marcos.
Talvez em mais nenhum sítio do mundo experimentei a emoção de sentir a grandeza e a beleza a surpreenderem a minha capacidade de sonhar.
E a vida regista sempre aquilo que nos surpreende.

“LIKE A VIRGIN” NAS MARGENS DO MONDEGO
Mais do que uma cantora ou uma rainha Pop, a Madonna é um ícone para a minha geração, cúmplice da rebeldia de ousar sonhar um mundo mais livre e patrocinador da inclusão.
Paguei o bilhete para o Golden Circle no Estádio Cidade de Coimbra, vi o suor da Madonna ali mesmo ao pé e cantei com ela o “Like a Virgin”.
Como se não tivéssemos idade e fosse sempre “como a primeira vez”. A 24 de Junho de 2012.

UM CAMAROTE NO COLISEU
Os Madredeus estavam no auge e reconciliavam definitivamente a minha geração com o toque da melhor música Portuguesa.
Teresa Salgueiro, Pedro Aires Magalhães, Rodrigo Leão… Carlos Paredes na única vez em que tive o privilégio de o ver actuar.
Elejo o concerto dos Madredeus no Coliseu de Lisboa a 30 de Abril de 1991, o melhor a que assisti.
E ainda hoje o recordo no álbum Lisboa.

UM LANCHE COM A ROSA
Assumo aqui publicamente que o/a compatriota desportista que mais admiro é a Rosa Mota.
Já muito depois das Maratonas, o trabalho juntou-nos numa reunião no Porto. Eu fiquei nervoso, ela deu-me uma fotografia autografada e eu disse-lhe que o equipamento era o da terceira vitória consecutiva em Campeonatos da Europa, em 1990 em Split.
Admirou-se.
Depois comecei a contar a história a partir de Atenas 1982 (Ouro nos Campeonato da Europa), Los Angeles 1984 (Bronze nos Jogos Olímpicos), Estugarda 1986 (Ouro nos Campeonato da Europa), Roma 1987 (Ouro nos Campeonatos do Mundo), Seul 1988 (Ouro nos Jogos Olímpicos) e Spilt 1990.
Ela assumiu ter medo da minha memória mas eu ainda tive coragem para lhe perguntar o que sentiu naquela tarde de 1988 em Seul quando a Dorre e a Martin não a largavam.
E ela:
- Nunca pensei que poderia perder.

“EU GOSTO TANTO DE TI”
Não me recordo do dia, mas sei que era uma tarde daquelas de passear e nós descíamos juntos a Rua Augusta.
Já nos aproximávamos do Arco, caminhando um pouco desviados para a esquerda, quando a meio da conversa tu paras de repente e dizes:
- Eu gosto tanto de ti.
De repente senti-me o homem mais feliz do universo.

O DIA 3 DE FEVEREIRO DE 1971
Houve uma “ameaça” a 29 de Janeiro, dia de feira anual em Vila Viçosa, e até foram buscar-me à Creche para poder despedir-me da minha mãe que iria “receber a mana” do bico de uma qualquer cegonha bem disposta vinda de Paris.
Na altura não existiam ecografias e por isso só se falava na mana, que eu pedia para se chamar Maria Bonita.
A verdade é que o meu irmão contrariou todas as previsões acabou por nascer no dia 3 de Fevereiro, faz hoje precisamente 45 anos, ganhando então a vida aquele toque de excelência de quem partilha os seus dias com a melhor pessoa e o melhor amigo. 

Sem comentários:

Enviar um comentário