sábado, 8 de janeiro de 2011

BPN / BPP

Por entre o aumento do IVA, a troca de palavras entre o Mister Villas Boas e o Mister Jesus, as dúvidas sobre a mãe do filho do Cristiano Ronaldo, a chuva que nunca mais pára, a saída da Júlia Pinheiro para a SIC, etc, etc, não sei se já se deram conta de que estamos em campanha eleitoral para a Presidência da República?
É verdade. Há por aí seis candidatos ao lugar, ao que parece numa luta muito acesa entre eles e os seus mais próximos, despertando tanto interesse na população Portuguesa em geral, como despertaria um campeonato de matraquilhos no Café Central de Freixo de Espada à Cinta.
Confesso-vos que sempre que me disponibilizei a dedicar algum tempo ao assunto, quer espreitando os debates, quer lendo algo sobre a posição dos candidatos e o porquê das suas candidaturas, me enfastiei e saí rápido.
É mau de mais.
Ninguém discute ideias e apenas se discute a honra ou a falta dela.
Ninguém confronta posições sobre o exercício da função de Presidente da República e apenas e só se gasta tempo a analisar o passado e a investigar as supostas actividades e práticas ilícitas dos candidatos.
Parece estranho que numa campanha para a Presidência da República, do que mais se fale seja do Banco Português de Negócios e do Banco Privado Português.
A mim não me surpreende.
A política em Portugal em 2011 é esta luta paupérrima entre o mau e o péssimo, em que o país e os Portugueses deixaram de ser o centro de um debate de base ideológica, para dar lugar a uma guerra suja entre grupos rivais, com métodos e princípios medíocres iguais e que só diferem no tempo em que exerceram o poder, tendo-o feito sempre assumindo a corrupção como uma regra implícita.
E ninguém está impune.
De um lado está a “ínclita geração” cavaquista e “novo riquista” dos anos 80 e 90, os “self-made men” que viraram ministros e banqueiros feitos à pressa.
Do outro lado está o auto-proclamado pai da cidadania e da liberdade mas que estranhamente exerceu essa cidadania na sombra da bancada parlamentar do seu partido, batendo palmas a todos aqueles que são responsáveis pela situação do país, só tendo abandonado o poiso dourado quando vislumbrou a sua oportunidade de ser presidente, não se coibindo de vender ao mesmo tempo a alma a Deus e ao diabo.
E o resto é o folclore do costume.
Por isso, na hora de escolher entre o BPN e o BPP a mim, e suponho que à grande maioria da população, apetece-me dizer como o Herman há alguns anos atrás: “Eu é mais bolos!”.

2 comentários:

  1. Não podia estar mais de acordo... Está ligado ao valorizarmos o TER em detrimento do SER!

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  2. Caro amigo, a sua frase "Parece estranho que numa campanha para a Presidência da República, do que mais se fale seja do Banco Português de Negócios e do Banco Privado Português.", tem a resposta que merece "A mim não me surpreende.", porque o que está em causa não é a campanha mas sim a inutilidade dessa campanha com estes candidatos. Nunca me lembro (e já ando nisto desde antes do 25 Abril) de termos tanta falta de candidatos reais, com valor acrescentado para a nossa depauperada república. Assim, com estes, bem podem falar porque como dizia o Gato Fedorento "eles falam falam ... e não dizem nada". Que pena perdermos tanto tempo e gastarmos tanto dinheiro para uma eleição que não vai valer um chavo para os portugueses. C´est la vie, on dira!

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