domingo, 23 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011

Cai o pano sobre as presidenciais de 2011 com o presidente Cavaco Silva reeleito logo à primeira volta.
Ainda não foi desta que um presidente em exercício perdeu a reeleição ou foi obrigado a uma segunda volta para o conseguir. Foi sempre assim desde o 25 de Abril de 1974, com Eanes, Soares, Sampaio e agora Cavaco.
Ao grande derrotado desta noite, Manuel Alegre, duplamente derrotado por Cavaco, hoje e em 2006, resta-lhe a consolação de que já venceu uma vez…, em 1976, o Festival RTP da Canção, como autor da letra da canção vencedora.
São muito poucas as hipóteses de Cavaco Silva poder um dia vir a igualar esse feito, a não ser que a “Primeira-Maria”, pelo que consta dada às coisas da poesia, dê uma ajuda.
A canção chamava-se “Uma flor de verde pinho”, tinha música de José Niza e foi interpretada por Carlos do Carmo. Era e é uma belíssima canção, por certo uma das melhores que enviámos à Eurovisão.
Recordam-se da letra?

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

Nesta noite fria de Janeiro de 2011, após o desaire eleitoral, com outro estado de espírito, talvez o poema sofresse algumas alterações.

Eu ouso imaginar algo do tipo:

Eu queria chamar-te presidência minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este querer é como o de Pedro por Inês.

Mas não há povo, não há votos, não há peito
que aguente a dor que me causa um arrepio.
Logo à primeira há um Cavaco, e eu desfeito,
O sonho foi-se e eu sem querer perdi o pio.

Querer-te tanto é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
murchou a rosa e eu apenas sinto o espinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Ser presidente é poema que já não escrevo.
Está outro eleito. E eu sem votação.

Em tempos difíceis, rir será sempre um bom remédio.

Haja alegria.

1 comentário:

  1. Meu bom amigo, realmente o Cavaco pode ainda ganhar o Festival de Música (não da canção), basta lembrarmo-nos da "música" que ele tem dado a quase todos os portugueses. Para além disso, o genro sempre poderia dar uma ajuda, com o seu conhecimento do mercado da música. Eu continuo com uma ideia de que o presidente ideal seria o Fernando Nobre, afinal o que precisa este país é de alguém que lhe passe a certidão de óbito. Ainda suportaria que ganhasse o Alegre, sempre teríamos um indefectível benfiquista na presidência. Ou o Lopes, que não sei se é do Benfica mas que sei ser vermelho. Como vê, se há coisa que não falata ao português, é humor, de preferência negro. E ainda foram votar cerca de 50% dos portugueses. Oh la la. Vamos agora esquecer esta triste eleição e vamos mas é começar a tentar sobreviver aos maus políticos que temos. E não só. Parabéns pela sua retórica poética, não fica absolutamente nada atrás da do Alegre, que de Alegre se fez Triste.

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