domingo, 23 de janeiro de 2011

Eu já votei!

Segundo os dados da Comissão Nacional de Eleições, ao meio-dia de hoje, a afluência às urnas de voto era de apenas 13%.
É um número ridículo e que expressa o alheamento total com que a generalidade da população encara esta escolha para a Presidência da República, a eleição para a primeira figura do estado Português.
Se nos fixarmos nas dificuldades que o país enfrenta actualmente e nos inúmeros desafios que se nos colocam como nação, ainda se torna mais incompreensível esta demissão de responsabilidade por parte da maioria da população.
Eu sei que a escolha é difícil, porque perante o espectáculo degradante a que assistimos nas últimas semanas de campanha eleitoral, na hora de votar o que mais apetece é… ficar em casa à lareira. Que os dias, assim como os ânimos e as vontades, andam terrivelmente frios.
Mas eu já votei.
Desde que atingi a idade que permite o acesso às urnas de voto, só uma vez é que o não fiz, e foi porque me encontrava no estrangeiro e não tinha forma de poder votar.
Até nos referendos, votei em todos.
Mesmo tendo de percorrer 200km para votar, porque ainda o faço em Vila Viçosa, sempre coloquei o acto de votar no topo das minhas prioridades.
Confesso-vos que a primeira razão porque o faço, é o facto de nunca gostar de me colocar na posição de um sujeito passivo que aceita que os outros decidam por ele. Tenho uma palavra a dizer, e digo-a, com maior ou menor convicção, mas nunca me demito de a expressar.
Como somos talhados pelas experiências que a vida nos vai permitindo que vivamos, não tenho dúvidas de que esta minha forma de estar tem raízes na vivência que recordo do dia 25 de Abril de 1975.
Um ano após a revolução de 1974, tinha eu quase nove anos, partilhei a alegria de todos os adultos que me estavam próximos, de pela primeira vez, em liberdade, homens e mulheres, poderem expressar as suas convicções, saboreando a festa da democracia nas primeira eleições livres, as eleições para a Assembleia Constituinte.
Recordo-me das filas imensas, do mar de gente à porta dos Bombeiros Voluntários e do Ciclo Preparatório de Vila Viçosa, das horas a que todos se prestavam para estar nessas filas para poderem contribuir com a sua escolha para a definição do rumo para o país.
É impossível apagar-se da memória a alegria desses rostos, e hoje sei que para que essa alegria fosse possível, houve muitos outros que ofereceram as suas vidas como preço para a liberdade e para a democracia, não tendo sequer chegado a provar o seu sabor.
Por isso assumo aqui, que pelo presente do país que somos, mas também pela memória dos que no passado lutaram para que a democracia fosse uma realidade, eu já votei e votarei sempre.

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