quarta-feira, 16 de março de 2011

Chicotada psicológica

Quem acompanha o futebol conhece por certo a figura do treinador de uma equipa que luta para não descer de divisão.
Trata-se de um treinador mais talhado para sobreviver do que para viver. Não tem grandes ambições, não tem por objectivo a vitória mas tão só não perder e um empate com um pontinho a mais nas contas do campeonato, é algo de extraordinário.
É um treinador que à semelhança das suas equipas, parte para os jogos de maior grau de dificuldade, com a certeza de os perder, fixando-se então no objectivo ridículo de não perder por goleada.
Quando as coisas parecem estar tremidas e a porta de saída se vislumbra como o caminho mais provável, não há nada que não sirva de desculpa para o insucesso, do qual ele, invariavelmente, não se assume como responsável: não teve jogadores de qualidade, as condições de treino eram más, os jogadores tiveram lesões graves, os árbitros estão sempre contra a equipa, houve muito azar e muitas bolas no poste, etc, etc.
Vem isto tudo a propósito do comportamento do nosso primeiro-ministro, José Sócrates, nos últimos dias, passando pela declaração ao país na segunda-feira e a entrevista à SIC Notícias no dia de ontem, tendo por cenário a perspectiva de mais um PEC, leia-se mais um conjunto de medidas agrestes que com o objectivo de afinar as contas públicas, nos quer sugar um pouco mais do já tão pouco que nos resta.
O país está mal, talvez como nunca esteve, e a responsabilidade por tal situação, segundo o primeiro-ministro, é do bloqueio exercido por todos e sobretudo pela oposição, que entravam a sua magna e heróica acção na defesa do interesse dos cidadãos.
Incrível!
Incrível e ofensivo, admitir que somos uma trupe de débeis mentais que acreditamos e nos deixamos levar pelas cantigas de um bem-falante vendedor de banha da cobra.
Qualquer Português sabe e não esquece que quem governou o país nos últimos seis anos foi José Sócrates e a sua equipa, beneficiários de quatro anos e meio de maioria absoluta, em que nada fizeram para nos pôr a salvo de uma crise internacional que de facto existe, mas não é e não pode ser justificação para tudo o que de mau nos está a acontecer.
O problema é mesmo a incompetência e o primeiro-ministro na hora da despedida (espero eu), demonstra com estas atitudes um dos traços mais fortes do seu carácter: a desonestidade.
Nas conversas de café nos últimos dias, surpreende-me que certas pessoas, alinhadas com esta avaliação que aqui faço, rematem a conversa com a expressão da dúvida sobre as possíveis alternativas a este poder e a esta gente.
Não levem a mal, mas entre o comprovadamente péssimo e a dúvida, eu prefiro apostar na dúvida, arrisco na incerteza.
Como no caso dos treinadores de futebol de sobrevivência, acho que está na hora da saída para este primeiro-ministro, e tal como no futebol será uma chicotada psicológica porque já não há mente, e obviamente também bolsa, que aguente este triste fado.

1 comentário:

  1. Joaquim, confesso que o meu próximo voto é uma indefinição. Estou farto destes políticos (de todos os quadrantes) e não consigo imaginar forma de dar a volta por cima a tudo o que nos está a acontecer. Infeliz Governo (e PS) que nem parece perceber o que lhe está a acontecer, e como já disse em tempos, até era fácil, bastava que os governantes nos governassem conforme se governam a si próprios. Infeliz oposição que esbraceja, esbraceja ... e diz pouco. O que interessava era que o P.R. (outro coitado infeliz) nomeasse um 1º ministro independente (ie, fora dos partidos) e esse 1º ministro nomeasse os ministros necessários em função do espectro partidário decorrente de novas eleições. Mas, como sabemos, isso não é possível porque os partidos não se interessam por nós portugueses, limitam-se a tentar angariar lugares para os seus barões. Por isso, "c´est la vie", mas podia ser bem melhor. Um abraço contristado.

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