quinta-feira, 3 de março de 2011

O Cábula e a Senhora Directora

Não será necessário um grande esforço para nos recordarmos de algum colega, nosso companheiro no percurso escolar, daqueles que detestavam estudar, eram pouco aplicados, tinham deficit de assiduidade às aulas, copiavam nos testes e nos exames, colaboravam nos trabalhos de grupo apenas no processo final de assinaturas, se gabavam de passar os dias na boa vida…
Só para o final do ano lectivo, quando a primavera já quase se rendia ao verão, é que eles emergiam então com a sua conversa de “pintas de dez tostões” a lançarem o charme para cima dos professores, temperando-o também com os azares da vida que lhe era madrasta, lamentando-se da sorte, evocando problemas familiares sérios, depressões graves e acidentes múltiplos, para que os professores lhe dessem a positiva mais baixa que lhes permitisse evitar o chumbo, nunca se esquecendo de prometer que em Outubro enfrentariam o novo ano com um empenho redobrado, promessas essas que jamais passavam a barreira do verão.
Mudaram-se os tempos mas os comportamentos persistem.
A Senhora Directora Ângela recebeu ontem no seu gabinete de Berlim, o Cábula José, que bem se esforça para evitar o chumbo que parece inevitável.
A lábia é muita mas por vistos não convence esta Directora que parece não estar disposta para se deixar ir em cantigas.
Ora bolas, Berlim!
Mas o pior de tudo é sabermos que seremos nós a pagar o preço do chumbo e dos anos perdidos, porque não sendo pais do José, somos involuntariamente o suporte financeiro do seu desgoverno.

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