segunda-feira, 28 de março de 2011

E depois do adeus

O guião foi preparado com a mestria dos grandes de Holywood, o timing escolhido foi perfeito para a trama e para o esperado sucesso de bilheteira destes actores e realizadores num futuro não muito longínquo, o protagonista foi o de sempre, algures num registo entre o dramático e o herói, com fala e pose bem estudadas, sempre com o objectivo de criar no espectador aquela sensação fantástica de que nesta tragédia não há vilões e que tudo é fruto da má sorte. Os cenários, os actores secundários e os figurantes, foram os de sempre, com a previsibilidade como regra e a criatividade a léguas. Não fosse eu um dos produtores, financiador deste filme com mais alguns milhões de concidadãos lusos, e até teria achado graça a tanto ridículo e non-sense. “Sócrates II – O regresso sem maioria” é pois película a evitar e eu espero sinceramente que seja o último filme da Saga Sócrates pois mais uma terceira aventura e os estúdios vão à falência num abrir e fechar de olhos. Portugal viu Sócrates encenar um adeus que não deseja e que ambiciona seja apenas mais uma etapa para o sucesso da sua carreira política. Eu espero que este seja mesmo um adeus efectivo e fico chocado quando os meus interlocutores, discutindo o momento presente do país, se recusam a procurar alternativas e aceitam o Sócrates como uma inevitabilidade. Recuso-me a aceitar esta ideia de que caminhámos oito séculos como nação para chegar aqui onde hoje Sócrates nos colocou, porque a mediocridade, a desonestidade, a mentira e a injustiça do Portugal de Sócrates, nunca poderá ser um destino, sendo por certo apenas e só mais um Alcácer Quibir de onde sempre saberemos partir para voltar às vitórias.

1 comentário:

  1. Como poderei exprimir em palavras, um tão completo apoio a esta mensagem sentida. Também eu passei pela experiência , muito pouco agradável de ver alguns dos meus companheiros do dia a dia, dos quais tenho ouvido nos últimos tempos tantos desabafos de dificuldades vividas, hoje a lamuriarem-se do timing, da inevitabilidade da mudança, da falta de líderes...Que deixem desapontar os novos líderes, que mesmo sem experiência, possam contribuir para um Portugal mais justo ou pelo menos mais transparente. Confesso que estou cansada de observar a passagem de tantos ilustres, tão experientes e apesar disso tão pouco profissionais e tão mal formados. Tenhamos , no entanto esperança! mas, claro, não há milagres...e por isso é necessário que exista consciência social e espiríto de sacrifício.

    ResponderEliminar