domingo, 5 de junho de 2011

Passos & Portas, Lda - Uma aventura no país da Troika

Cerca de 60% dos eleitores votaram hoje e promoveram a mudança de governo em Portugal. Do dia e da noite, registo:
PASSOS – É o vencedor. O intérprete mais improvável concretiza 31 anos depois da morte de Sá Carneiro, o seu desejo de um governo, uma maioria e um presidente. Não tem o poder absoluto mas parte para a negociação com Portas com o conforto de um bom poder relativo. Parte com a vantagem de nunca ter dito que os próximos tempos seriam fáceis.
SÓCRATES – O grande derrotado que apresentou a demissão de todos os cargos no PS. Disse adeus com o suporte do seu inseparável teleponto num discurso a apelar ao sentimento e em que pretendeu realçar o seu lado mais humano de pai e patriota. Cinismo até ao fim. Da plateia de militantes fez um biombo atrás do qual se escudou das questões mais polémicas dos jornalistas. Vergonhosa a forma como a plateia censurava com vaias as perguntas dos jornalistas, mas a demonstrar bem o que foi o respeito pela liberdade de expressão no país de Sócrates.
PORTAS – O Vitória de Guimarães da política. Fica sempre no topo da tabela mas sem estatuto e sem energia para disputar o título. Chega ao poder mas sem a força relativa que imaginou poder ter na aliança com Passos.
CDU – A arte de nunca assumir as derrotas e dar a volta por cima. Um discurso recheado de tédio para explicar a derrota da direita e a sua vitória muito própria. Sem comentários e sem paciência. Um conselho que lhes dou é de que nunca desvalorizem a inteligência das pessoas a quem se dirigem no discurso, poupando-se assim a figuras tristes.
BLOCO – A esquerda também assume derrotas e Louça fê-lo bem. Foi cara a factura da aliança com o PS no sonho de eleger Alegre para a presidência.
ABSTENÇÃO – É enorme e indicadora de um preocupante desinteresse pela política numa altura em que o país deveria estar a cerrar fileiras para enfrentar os ataques que por via da guerra da economia e dos mísseis das agências de rating, está em risco a sustentabilidade do país. Os políticos lamentam mas deveriam antes olhar-se no espelho para verem que nos últimos tempos muito têm contribuído para este divórcio dos Portugueses com a política. Olha-se para a campanha que passou e entende-se a abstenção.
SONDAGENS – Foram muitas e péssimas. Há uma semana falavam em empate técnico. Sem comentários.

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