sexta-feira, 10 de junho de 2011

PORTUGAL

Tornámos nosso o sonho do Rei Afonso e em cruzadas de coragem, muito querer e fé, unimos norte e sul, dando espaço à identidade e ao ser, nascidos das cumplicidades da alma desta gente brava que habita o cais onde a Europa se entrega ao imenso mar Atlântico.
Com o sangue nascido de uma esperança restaurada em cada dia, bordámos as fronteiras que deram e dão forma ao sonho.
Preenchemos as serranias, os pinhais, as planícies e as longas praias com a forma tão nossa de ser simples, vestimo-nos com sete saias, capotes ou varinos, e nos dias que quisemos tornar maiores, criámos romarias bailadas a malhões, viras, chulas ou corridinhos, entoadas a fados, desgarradas e canto chão, saboreadas a caldo verde, chanfana, alheiras, bacalhau e açordas, e regadas com o vinho que não importa de onde é, porque sendo nosso é melhor que qualquer outro.
Mas por querermos sempre ser mais e ir mais longe, ousámos sair pelo mar fora, tornando pequenos os Adamastores e Mostrengos dos medos dos Homens, pela força da coragem dos Gamas, Dias ou Cabrais, os indutores da boa esperança e os inspiradores de uma prole de heróis anónimos e maiores que pela bravura mostraram ao mundo qual a forma do próprio mundo.
Nos porões das naus, mais do que tudo, transportámos para longe a cultura e esta língua que fizemos nossa, sabendo buscar sempre nessa lonjura de outros mundos, mais do que ouro ou pimenta, a cultura da diferença que nos faz únicos e maiores, com a tolerância que só a inteligência sabe construir.
E assim, século a século, fomos de ousadia construindo a nossa História, cantada na arte de Camões, Pessoa, Bocage, Florbela ou Sophia, e contada na prosa de Camilo, Eça, Herculano ou Saramago, os Deuses maiores do Olimpo da nossa arte, todos perfeitos descodificadores desta alma infinita que jamais se apagará em nós.
Porém às vezes trememos. A sorte parece querer abandonar-nos e o mundo desabar sobre as nossas cabeças, mas nós os que demos nome à saudade, não vergamos, e se for preciso e deixando sempre a alma por cá, partimos para além Pirinéus ou para lá do mar, dispostos a pagar em suor a esperança que nos leve para um dia novo.
Porque somos assim feitos à imagem do granito das Serras de Viriato e jamais nos entregamos aos “Alcáceres-quibires” do triste fado, porque sabemos que em tempos de nevoeiros intensos, é quando mais brilha este querer genético que nos marca o ser.
Porque nada nem ninguém será alguma vez capaz de matar este sonho que nos une e nos faz maiores: PORTUGAL!

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