domingo, 16 de outubro de 2011

2012

Há algum tempo atrás andou por aí um filme que, com base numa profecia antiga, ficcionava o fim do mundo em 2012.
O mundo não sei se acabará efectiva e realmente no próximo ano, mas para nós Portugueses, o Natal e as férias já morreram de vez.
Pode ser um principio…
A vida funciona em ciclos e já todos deveríamos ter aprendido que à bebedeira se segue a ressaca, ao Carnaval a Quaresma e a uma refeição abundante, o pagamento de uma factura gorda.
Já deveríamos saber mas por vezes esquecemo-nos ou então fazem-nos esquecer essa dura realidade transportando-nos para o reino da ilusão e da fantasia.
Há vinte e cinco anos atrás, recordo-me, éramos um povo pobre: havia fome em Setúbal, no Vale do Ave e em muitas outras regiões do país, havia muito desemprego, salários em atraso, falências de empresas, etc.
Entrámos na União Europeia, então CEE, e de um momento para o outro, tornámo-nos ricos.
Construímos auto-estradas, pontes, túneis e rotundas, organizámos Exposições Mundiais e Europeus de Futebol, comprámos casas de luxo, comprámos férias eternas em “time sharing”, deixámos de cultivar a terra e até nos pagavam para o fazer, construímos os maiores Centros Comerciais da Europa e abrimos as lojas de todas as marcas mais caras e conhecidas que há por esse mundo fora, passámos a ter subsídios para tudo e até para não trabalhar, construímos hospitais ao desbarato até quando e onde não eram necessários, renovámos o parque automóvel apostando sempre na velocidade e no luxo, desaprendemos de poupar porque isso era coisa de pobre.
Esquecemo-nos ou fizeram com que nos esquecêssemos que a factura para pagar haveria de chegar um dia.
Ao longo deste tempo tivemos cinco primeiros-ministros que com a arte das sereias nos fizeram acreditar que éramos um país desenvolvido e do pelotão da frente da União Europeia, que em Portugal as pessoas estavam em primeiro lugar, que não havia crise que nos atingisse e que já estávamos definitivamente na parte final e agradável dos contos de fadas que é aquela em que vivemos felizes para sempre.
Todos estes cinco primeiros-ministros, sem excepção, foram mestres da ilusão por conveniência própria e por interesse da sua sobrevivência politica e económica. Da sua e de todos quantos gravitavam à sua volta.
Na passada quinta-feira fomos confrontados com uma elevada factura que teremos de pagar e quando procuramos os responsáveis, onde os encontramos hoje?
Cavaco Silva, o pai da geração BPN, é Presidente da República, Guterres, o “subsidiólogo”, é Alto Comissário para os Refugiados na ONU, Durão Barroso, o fugitivo, é Presidente da Comissão Europeia, Santana Lopes, o fugaz, é Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e Sócrates, o artista do teleponto, é um senhor a estudar em Paris.
E nós?
Nós continuamos a trabalhar, enquanto tivermos emprego, e a pagar a factura das suas incompetências.
Pela minha parte, pago o que tiver de pagar. Revoltado, mas pago.
Só faço duas exigências a Passos Coelho para que ele não se torne o sexto do cesto de “Luíses de Matos” da nossa política: verdade e coragem.
Verdade nas contas e verdade expressa na coerência do rigor e do sacrifício em todos os sectores do país e da governação.
Coragem para apontar culpados e denunciar todas as situações “anómalas”.
E neste último ponto já houve uma falha grave porque a confiança política em Jardim já deveria ter sido retirada.Há muito e antes das eleições na Madeira.

1 comentário:

  1. Não acredito em políticos! Mantenho a esperança que Portugal vai superar mais esta crise porque sou uma pessoa optimista e porque acredito que há muitos portugueses que trabalham e lutam com honestidade e rigor.
    Mas, acima de tudo, agradeço aos meus pais a forma como me ensinaram a viver dentro das minhas possibilidades, a gerir, a não gastar tudo de uma vez, a pensar no futuro e a viver, bem, mas com discrição…
    Bom texto, Joaquim! Mais uma vez! ;)Obrigada pela reflexão!

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