sábado, 24 de março de 2012

Um fondue com o molho da verdade

A vida oferece-nos o prazer sublime de uma teia de afectos, infinita, porque cada pessoa que entra e se incorpora na nossa vida, traz outro ou outros amigos também, tornando natural a sugestão feita canção pelo grande Zeca.
Confesso-vos que o meu optimismo militante que me faz acreditar que o melhor está sempre reservado para amanhã, é em grande parte alimentado por esta imparável “avalanche de amizade” que beneficia quem se entrega e disponibiliza aos outros.
Quem investe em afectos, obtém depois os naturais dividendos e jamais terá de admitir a solidão.
Ontem ao serão, em volta de um fondue de carne, sentaram-se quatro pessoas, eu e mais três, num grupo impossível de imaginar há cinco meses atrás.
O que nos uniu assim num espaço tão curto de tempo no contexto das nossas vidas todas acima dos quarenta anos?
Mais do que o jantar ou a amizade que já unia alguns de nós, a essência deste encontro residiu no facto de nenhum de nós se demitir de viver intensamente, de não fugirmos a dar respostas afirmativas à verdade do coração e dos sentimentos, que por via directa ou indirecta nos congregou quase a partir do nada.
Desta intensidade com que os quatro nos obrigamos a viver diariamente, criámos ainda as cumplicidades e o à-vontade para temperarmos de verdade as cinco horas de conversa, ao ritmo das peças de carne que fritávamos e a que íamos dando sabor com os diferentes molhos, e com o tinto alentejano da melhor proveniência a servir de catalisador à acção de bloqueio total ao silêncio feito através da mais intensa e animada conversa.
E o segredo maior, repito, foi a verdade.
Quando gostamos de nós próprios e assumimos a nossa verdade, quando eliminamos os filtros do social e do politicamente correcto, quando despimos a pele que nos querem vestir e não tememos a exposição da nossa própria pele, quando nos oferecemos a possibilidade de ser genuínos na expressão dos sentimentos, então beneficiamos destes momentos que por serem simples são simultaneamente mágicos.
É assim nos jantares, nas reuniões de amigos, como é assim em tudo e na vida de todos os dias.
O conforto maior do universo é sempre o que nasce do nosso sim à verdade do nosso eu.
Ganhamos o amor, ganhamos amizade e ganhamos o privilégio da felicidade.

2 comentários:

  1. Momentos raros e preciosos sem dúvida, que fazem com que a palavra AMIZADE tenha o seu verdadeiro sentido.

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  2. Acho que a Amizade é uma palavra linda embora muita gente não a entenda e não saiba o verdadeiro sentido dela é lindo quando se vive em pleno.Gostei....
    M.Pereira

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