domingo, 30 de dezembro de 2012

2012


Os últimos dias de cada ano são legitimamente dados a balanços, e aqui pelo Pomar das Laranjeiras, é tempo de cumprir uma tradição e chamar as laranjas pelos seus justos atributos:

LARANJA DOCE – O exercício da cidadania / 15 de Setembro
O povo “sugado” pelas políticas de austeridade demonstrou que tem voz e que não se cala perante a injustiça dos ataques do Estado aos benefícios sociais e aos seus direitos, mesmo os mais insignificantes e mínimos.
Quem andou pelas ruas de Lisboa, do Porto e das restantes cidades Portuguesas, sentiu que acima dos partidos e de todas as organizações mais ou menos reivindicativas, estará sempre o povo, unido e a uma só voz.
Que nunca se nos morra o fôlego.

LARANJA AMARGA – Troika / Merkel
A Troika e Angela Merkel são as duas faces do “nosso” Euro.
No posfácio da II Guerra Mundial, o conflito passou para os territórios da economia, inspirado como sempre nessa ariana ambição do esmagamento dos povos do sul da Europa.
O ataque ao Euro, filme de terror com argumento dos Mercados, encaixou perfeito nesta ambição, e hoje, a troco de uma pseudo-salvação da moeda única, legitimou-se a colonização dos países da Zona Euro com economias mais vulneráveis, e o regresso da escravatura, com as vidas aprisionadas aos grilhões da pérfida austeridade.   

LARANJA SUMARENTA – Joana Vasconcelos
É hoje uma das artistas Portuguesas com maior reconhecimento internacional e a exposição das suas obras nos salões do Palácio de Versalhes, é apenas mais uma prova, enorme no entanto, desse reconhecimento.
Tem a alma Portuguesa nas suas obras de dimensões gigantescas construídas pela sua arte a partir de objectos banais do nosso quotidiano.
Os corações de Viana feitos a partir de talheres de plástico e os sapatos da Cinderela construídos a partir de tachos, são apenas dois exemplos da sua grandeza como artista.

LARANJA SECA – Aníbal Cavaco Silva
E cada vez mais seca.
Numa altura difícil como a que vivemos em Portugal, é estranha a sensação de ter como Presidente da República, uma caricatura saída do Contra-Informação.
Sem alma, sem lucidez e sem discurso, a sua actuação é simplesmente patética, ao nível da forma ridícula que escolheu para defender os reformados que enfrentam sérias dificuldades financeiras, colocando-se a seu lado na fila das vítimas.
Quem tem as suas reformas e quem tanto dinheiro ganhou com o BPN, sabe Deus como, deveria ter o bom senso e o pudor de jamais se lamentar porque tal é demasiado ofensivo para quem tanto sofre.

LARANJA MECÂNICA – Acordo ortográfico
Os países que falam Português adiam a sua implementação ou manifestam o seu desacordo.
Portugal insiste de forma absurda na implementação de um acordo que está nos antípodas do consenso e que se tinha como objectivo a uniformização e o reforço do escrever em Português, está precisamente a ter o efeito contrário.
Impõe-se a travagem e a reflexão.  

VITAMINA C – Guimarães 2012
Depois de Lisboa e Porto, Guimarães foi a terceira cidade Portuguesa que beneficiou do privilégio de ser Capital Europeia da Cultura.
Um programa de luxo e muito diversificado que permitiu congregar múltiplos e muito variados públicos.
Deixa raízes profundas para o futuro numa cidade com um dos mais fantásticos centros históricos do país, reconhecido há muito como património da humanidade pela UNESCO.

SUMO GASEIFICADO DE LARANJA – Pedro Passos Coelho
Revelou saber de cor as cantigas do Paulo de Carvalho mas a sua verdadeira especialidade é a interpretação das músicas compostas pela Troika e Angela Merkel na ópera bufa da austeridade.
A sua insensibilidade social que o faz sistematicamente governar contra o povo e demasiado em prol dos nossos credores é tudo o que menos necessitamos da parte de um primeiro-ministro.
Reservar a face humana para a mostrar no Facebook de braço dado com a sua Laura, é patético e ridículo.

SUMO NATURAL DE LARANJA – Fernando Pimenta e Emanuel Silva
No país dos “Ronaldos” e de todas as milionárias vedetas do futebol, Fernando Pimenta e Emanuel Silva viajaram quase anónimos do norte de Portugal até Londres para remarem durante 1.000 metros e se quedarem a 53 centésimos de uma medalha de ouro, conquistando a prata para Portugal, a única medalha nos Jogos Olímpicos de Londres.
O trabalho e a humildade são a forja onde se fabricam os verdadeiros heróis.

REFRESCO ARTIFICIAL DE LARANJA – Vítor Gaspar
Do alto do torreão norte da Praça do Comércio, no seu gabinete, governa o país com base em modelos matemáticos e artificiais, esquecendo-se de que por detrás de todos os números estão as pessoas e de que as suas levianas decisões têm um impacto negativo gigantesco sobre a vida dos Portugueses.
Inadmissível a sua visão de um Portugal ideal vazio de Portugueses utentes mas repleto de pagantes, vacas leiteiras sem limites à produção.
É o “eucalipto” que seca a classe média Portuguesa, e já que se preocupa tanto com a retribuição ao país de toda a formação que ele lhe facultou, deixo-lhe uma forma mais eficaz de o fazer: desapareça.

LARANJA VERDE – António José Seguro
A sua liderança do Partido Socialista comprova que a rotatividade entre PS e PSD não é jamais garantia de saída do ciclo de mediocridade em que o nosso regime está envolvido.
Desonesto no não assumir da história mais recente do país e do seu partido, vazio nas ideias para o futuro, é no presente um líder frouxo e incapaz de congregar à sua volta quaisquer energias de mudança.

LARANJA PÔDRE – Miguel Relvas
É um dos mais “ilustres” exemplares saídos dos filões da incompetência que via juventudes partidárias nos têm preenchido os lugares de Estado.
Só o sustento invisível de algumas organizações secretas justifica que permaneça no Governo sobrevivendo a todos os escândalos e continuando a ter a “responsabilidade” de dossiers tão importantes como os da privatização da TAP e da RTP.
Qualquer Governo que queira beneficiar do respeito dos cidadãos jamais poderá ter Miguel Relvas ou alguém como ele no seu elenco.

LARANJA CALIPOLENSE – A cultura em Vila Viçosa
Concertos nas igrejas, nas pedreiras, no castelo e no Cine-Teatro, conferências, lançamentos de livros e revistas. A agenda cultural de Vila Viçosa, com o apoio da Câmara Municipal e da Fundação da Casa de Bragança, ganhou em diversidade e dinamismo.
Urge continuar pois a herança cultural e histórica de Vila Viçosa identificam-na naturalmente como um pólo cultural de relevância no sul de Portugal.

COMPOTA DE LARANJA – O ano de 2012 parte deixando para sempre a saudade de José Hermano Saraiva, Fernando Lopes e Miguel Portas. Bernardo Sassetti, a saudade e o silêncio prematuro deixado pela partida inesperada de um dos maiores músicos Portugueses. Paulo Rocha, o cineasta que com a arte de Carlos Paredes realizou um dos meus filmes Portugueses preferidos: Verdes anos.
Da banda sonora de 2012 emergem os The Gift e a sua Primavera. A voz de Sónia Tavares definitivamente no melhor da música Portuguesa.

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