sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A vingança das cobaias


Com a ajuda de morganhos, ratos, cobaias, rãs e coelhos, não existiu medicamento que eu deixasse por estudar, nas aulas práticas de farmacologia que compunham o curriculum académico do curso de ciências farmacêuticas que frequentei e concluí há muito, ainda no tempo em que os diplomas se obtinham por mérito e trabalho, através da frequência de aulas e aprovações nos exames.
Experiências a bem da humanidade e que afortunadamente, e na maioria dos casos, também não punham em risco a saúde e a vida dos animais.
Numa caixa de madeira e de cabeça de fora, o coelho depois de rapado o pelo, oferece uma veia que contorna toda a orelha e que é fantástica para a administração endovenosa de fármacos.
Esta semana, com ar de cientista louco, o nosso Ministro das Finanças anunciou medidas de austeridade e justificou a sua implementação pelos bons resultados conseguidos na utilização de vários modelos experimentais, e assim, de repente, eu e todos vós, saltámos para os tubos de ensaio e retortas das bancadas do mais puro experimentalismo económico.
Sem qualquer proveito que se vislumbre para nós e para a humanidade, esta só pode ser a vingança servida fria pelas minhas cobaias.
Numa caixa de austeridade férrea que não me permite quaisquer movimentos, há agora um Coelho, versão instantânea de primeiro-ministro ao estilo “jota e basta juntar água”, que me rapa o salário e me aplica uma TSU “endovenosa” de 18%, e…
E depois, vamos ver se sobrevivo.
Ontem, ao ouvir a entrevista de permanente rendição ao FMI e à sua gestão, com a Troika a servir para tudo justificar, sentei-me a ver a Gabriela e depois a goleada de 23-1 de Portugal à Inglaterra no desporto que nasceu com o fito apenas de nos consolar, o Hóquei em Patins.
Fui atingido por uma sensação demasiado nítida de um indesejável déjà vu, um regresso a um novo 1977 com mais rotundas, pontes, auto-estradas, dívidas e ilusões.
Até poderemos sobreviver, mas entre incompetência, mentiras e indecentes impunidades, já nos roubaram 35 anos, e pior, já nos comprometeram definitivamente o futuro.

2 comentários:

  1. ...nos porcos é celebre a injecção atrás da orelha...
    Abraço
    Carlos Delgado

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  2. AS experiências não estão a dar grandes resultados e estão a sair-nos muito caras
    RUI PEREIRA

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