terça-feira, 11 de setembro de 2012

Poder pelo terror


Há onze anos, ao começo da tarde de 11 de Setembro, parei no hall de um hotel em Berlim para assistir em directo pela televisão, à queda das torres gémeas do World Trade Center de Nova Iorque.
E logo em Berlim…
Se no começo da última década do Século XX se sonhou na cidade reunificada com a queda de todos os muros e com uma herança de paz para os anos de dois mil, esse terrível amanhecer de Manhatan, cedo no Século XXI, nos transportou para o território dos pesadelos e nos matou a esperança.
Pior do que alguma vez se ousou imaginar, a guerra chega de forma inesperada e atinge e mata inocentes em actividades tão simples como uma viagem de avião ou uma chegada ao escritório.
E mata aos milhares, e diz-se, que em nome de Deus.
Jamais compreenderei as guerras de motivação religiosa.
As religiões, por influência da cultura, são expressões diferentes do essencial que é a fé, e nesse essencial que a todos une, o Deus em que acreditamos, exprime-se pela vida de todos os Homens que habitam a superfície da Terra.
Matar um Homem é matar Deus e renegar a própria fé.
O problema é que o essencial e o que move o mundo, não é Deus e é sempre e só a ânsia pelo poder, sendo as religiões e os extremismos fundamentalistas, utilizados como campo de recrutamento de “guerreiros” fiéis para a conquista do domínio económico e político.
O 11 de Setembro de 2001, mais do que um dia terrível da história recente da humanidade, é um símbolo muito marcado das guerras do nosso tempo, as lutas cegas pelo poder.
As vítimas do 11 de Setembro de 2001, juntam-se às vítimas da Estação de Atocha, aos mortos da Faixa de Gaza, aos civis inocentes mortos no Iraque, e tantos outros pelo mundo fora, como os mártires do nosso tempo.
E convém não esquecer que não só com explosivos se pratica o terrorismo e se matam inocentes.
Os “mísseis económicos” e de destruição cega lançados pelos mercados financeiros sobre os países mais débeis da União Europeia, que secam o Estado Social e matam as formas de apoio às populações, sobretudo as mais desfavorecidas, são um terrorismo sem armamento mas altamente eficaz.
Não há pois latitudes ou fronteiras que separem inocentes e culpados. Não há zonas isentas de responsabilidade nesta guerra que só acabará no dia em que devolvermos a este tempo os valores da liberdade, da solidariedade e sobretudo do respeito pela vida do Homem.
Então haverá paz e só então falaremos do 11 de Setembro como passado.
Eu alimento essa fé.

2 comentários:

  1. Parabens
    Mas o dia 11 de SETEMBRO vai ficar para sempre na historia
    RUI PEREIRA

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  2. 11 DE SETEMBRO VAI FICAR PARA SEMPRE NA HISTORIA
    RUI PEREIRA

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