sábado, 22 de setembro de 2012

Outono


Está renitente o Verão em ir embora, atacando com graus de temperatura a rondar os trinta, mesmo quando o calendário confirma que o Outono já chegou e que só o próximo e longínquo Junho nos devolverá à magia da estação do nosso encontro favorito com as férias e o mar.
Mas não se importa o Outono com os graus extra deste encore do Verão, pois do sol faz uso para amadurecer e tornar mais doces os marmelos, e também para nos encher de cor e brilho, os dias da colheita das uvas que são prenúncio de bom vinho quando Novembro nos trouxer as castanhas para juntos brindarmos a S. Martinho.
Está chegada a hora de eleger e apostar nos melões a pendurar em rede de ráfia por cima das mesas onde brilharão os tons laranja dos dióspiros maduros, para que atravessando os Santos, os Finados, a Restauração e a Padroeira, nos possam dar o prazer do sabor a Verão na noite da consoada.
Em breve se encolherão definitivamente os dias, fechar-se-ão os toldos e os chapéus nas esplanadas dos cafés e dos quiosques, acrescentaremos o número de peças e o peso das roupas que vestiremos, libertaremos da naftalina os edredões de penas que devolveremos às camas, e muito naturalmente retornaremos a casa, procurando a protecção do frio e da chuva que esperamos e desejamos seja intensa.
Entre milhares de tons únicos de laranja e castanho, as folhas dos plátanos prepararão o seu adeus na hora de chegar Dezembro, sendo para já o perfeito cenário e dando a adequada cor a estes dias que parecem ter nascido para nos devolver tranquilamente aos espaços da intimidade de cada um consigo próprio.
O Outono, a viagem de volta ao nosso mundo.
Nos dias de Outono da minha infância em Vila Viçosa, sentíamos por esta altura, o cheiro das malas novas já cheias com os cadernos e as sebentas que a partir de 7 de Outubro, sempre e impreterivelmente, enchíamos com o saber oferecido pelos nossos Mestres-escola.
Os bibes de xadrez azul e branco já estavam pendurados nos guarda-fatos e estávamos prontos para voltar, junto com os amigos, à época do berlinde e do pião, que brincávamos após ter saído da escola e depois de termos comido uma boa fatia de pão com a marmelada feita recentemente e retirada de alguma das muitas taças que, cobertas por papel vegetal, as nossas mães tinham posto a secar ao sol.
O Outono, o passaporte para o regresso ao conforto dos nossos amigos mais amigos.
Viva o Outono.

1 comentário:

  1. Gosto do outono porque ele é frio suficiente para refrescar o calor...
    E é quente o suficiente para aquecer o frio!
    RUI PEREIRA

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