quarta-feira, 19 de setembro de 2012

De cócoras a perder a guerra


Berlim é uma cidade distendida, repleta de árvores em jardins e praças, de onde emergem em são convívio, os edifícios com história e os edifícios candidatos a entrar na história da arquitectura pela mão dos melhores arquitectos do planeta.
O muro, recordado hoje por uma linha em pedra que sobressai do asfalto, caiu há muito quando parecia querer erguer-se na Europa, a esperança de um tempo novo.
O táxi avança e o motorista, recrutado agente de propaganda da penitência alemã, concentra a conversa em redor dos monumentos que traduzem o assumir da responsabilidade da sua pátria no extermínio dos judeus, preocupado, obstinado mesmo, em que registemos o arrependimento do seu povo.
A penitência, esculpida em pedra pela arte de grandes artistas, uma atracção turística da nova Alemanha.
Logo após o Bundestag com a cúpula de Norman Foster, aparece-nos à esquerda a chancelaria com a sua inacreditável forma de uma gigantesca máquina de lavar.
O taxista aponta o dedo e afirma:
- Aqui trabalha Angela Merkel.
Sinto um arrepio na espinha e quase lhe peço para acelerar, não vá a senhora ver-me por ali e vir à janela receitar-me mais austeridade.
Penso no Pedro e no Paulo, que não se entendem, como se não soubéssemos há muito "casamentos com o Portas acabam em relações mortas":
- De que vale o esforço para se entenderem se algures num dos milhares de gabinetes deste edifício, há alguém que dita as regras e que realmente manda em nós.
Mas nem foi necessário que a Merkel falasse pois estou a ser conduzido por um seu porta-voz, presumo que não oficial:
- Nós trabalhamos muito e estamos a ajudar a Europa. A Grécia e o seu Estado Social vivem à custa do nosso dinheiro.
Penso para mim:
- Depois da penitência só cá faltava a generosidade. Daqui a pouco canonizo-te.
Há coisas que duas gerações não bastam para destruir e a sobranceria está no código genético desta gente que acredita hoje como há 70 anos que há a Alemanha e há o resto da Europa.
A União Europeia e o Euro foram sonhos de grandes líderes que morrerão pela mão de chefes medíocres, incompetentes e sem visão, ao jeito das fortunas familiares esbanjadas pelos filhos esbanjadores dos pais muito empreendedores.
A União Europeia e o Euro foram utilizados pela Alemanha enquanto foi conveniente e morrerão no exacto tempo em que a Alemanha os fizer implodir.
O meu taxista, a Merkel e os alemães em geral sentem-se tão Europeus como eu me sinto Esquimó.
Com a contrição dos falsos e a ilusão dos mágicos, são apenas e só artistas de palco, ardilosos iscos que atraem e condenam os que geograficamente partilham com eles o espaço Europeu.
Por eles, jamais a política e a economia criarão cumplicidades com a geografia.
O problema é a nossa cumplicidade e responsabilidade em tudo isto. É que a vaidade, a sobranceria e as pretensões desta gente, têm raízes na incompetência, na má gestão e no facilitismo com que nos desgovernámos e fomos sendo desgovernados por cá.
A nossa fragilidade é o melhor mote para as suas ambições.
Como os milhares de lojas de compra de ouro que nasceram nas nossas cidades, a Alemanha limitou-se a pôr banca a uma esquina de Bruxelas onde recebe em Euros e com a argúcia dos penhores, as parcelas da nossa independência.
E travar o processo?
Só com exigência, rigor e já agora, com Homens, porque o campeonato é duro e com juniores, em campo e no banco de suplentes, nada mais nos resta do que perder por goleada.
Convém não esquecer que quem perde a guerra, é quem está de cócoras. E está mesmo bem de ver que ao contrário do ditado, a continuarmos assim, jamais a Alemanha perderá esta.

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