sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Capuchos 2012


Com as cumplicidades do azul, confluência de Tejo, mar e céu, pela ponte me faço ao sul, não em busca de uma “Trovante” 125, mas da A6 que me traz de volta ao Alentejo, por entre sobreiros, olivais, vinhas e alguns muito espaçados choupos, único vestígio das ribeiras que o verão matou.
É fim-de-semana de Capuchos e chego para dizer: presente, quando se acenderem as luzes do arraial no velho largo fronteiro ao convento que em Vila Viçosa dá nome às festas anuais.
Sei que amanhã e nos dias seguintes, não me despertarei com uma Banda Filarmónica a passar à minha rua, daquelas que com um efeito semelhante ao de uma mola eficaz, fazia a vizinhança saltar para as janelas e varandas, partilhando os tons dos pijamas e os ares ensonados.
Já não haverá tômbolas e quermesses de venda de rifas em papel picotado, daquelas que colocavam os mais sortudos a passear no arraial com coelhos, galinhas ou patos vivos.
No canto do Largo que fica junto à fonte já não verei a vedação para o baile baptizado de Dancing (em Alentejano, “dancinguim”), onde ao som do grupo calipolense Star Melodia, bailavam os pares de namorados ou então alguns pares de mulheres que decidiam com a solidariedade umas das outras, vingar-se dos maridos que se encostavam toda à noite ao balcão do bar a beber tanto vinho e cerveja quanto podiam.
Sei que já não irei à Praça de Touros ver um espectáculo de Ranchos Folclóricos ou de variedades, daqueles em que os artistas mais em voga na discografia do verão jamais corriam o risco de se engasgar, tal a qualidade do playback com que brindavam o público.
Para ver as largadas de touros, também já não me porei à janela da casa do meu amigo Manuel, aproveitando o facto de o sol nos incidir intenso sobre a cabeça e também o nosso pouco interesse pelo espectáculo taurino, para brincarmos uns com os outros e nos deliciarmos com os petiscos e os bolos que a mãe dele sempre colocava na mesa em dia de festa.
Agora tudo é diferente, mas a festa continua.
Mudaram-se os tempos, mudámos nós, e a festa, obviamente que nos acompanhou nessa mudança. Adaptou-se a nós.
Mas o essencial, a raiz da festa, permanece e permanecerá sempre igual, sendo esta alegria de podermos voltar ao espaço em que crescemos, a celebrar a alegria de estarmos juntos, a festejar com abraços, beijos, sorrisos e olás, a amizade que jamais deixaremos morrer.
É isso que me move estrada fora e rumo ao meu sul.
Já, e sempre, em festa.

1 comentário:

  1. Há festa na terra !
    E uma embriaguês que faz girar, toda a família os amigos para se encontram no arraial
    RUI PEREIRA


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