domingo, 20 de janeiro de 2013

Europa, essa pérfida mentira


Nada mais, para além da dimensão geográfica, é capaz de nos unir no espaço Europeu. A Europa é, apenas e só, um continente.
Quem tem a oportunidade de interagir com indivíduos oriundos de outros países da União Europeia, sejam Nórdicos, Belgas, Checos, Gregos ou outros, rapidamente se apercebe que pouco ou nada nos une para além do espaço geográfico, porque até a história de cada país é contada enumerando as glórias das batalhas que vencemos quando estivemos uns contra os outros.
Neste contexto, a solidariedade entre países é idêntica à de um leão esfomeado que nos vê entrar pela jaula para lhe fazer uma festa.
Quando na primeira metade do Século XX e em menos de trinta anos, a Europa se viu devastada por duas guerras de dimensão mundial, acredito que o desafio de criar uma união económica, mais até do que política, tenha sido um sonho legítimo de Homens de dimensão maior.
Porém, quem às vezes interpreta a música de um génio, nem sempre o acompanha em dimensão na arte.
Quem pegou no sonho Europeu e decidiu dar-lhe corpo, concretizando-o, foram pessoas de muito menor dimensão, que nos salões e no silêncio das grandes organizações secretas que alimentam interesses pessoais muito específicos e que contam sempre com o patrocínio da alta finança, criaram uma falsa união que de tratados em tratados, de negociatas em negociatas, sempre à revelia dos cidadãos, tornou a Europa no que é hoje, um desmesurado e incontrolável Titanic.
Agora, o navio vai cheio e a uma velocidade estonteante, e por falha do sistema de controlo, leia-se um sistema de vontades políticas articuladas, não há já qualquer possibilidade de desviar a rota dos Icebergues que do Hemisfério Sul e de Oeste, travestidos de Mercados, estiveram sempre ali à nossa espera.
Os comandantes do navio, bêbedos e alucinados pelo poder, demitiram-se, e dos camarotes de luxo das suas reformas douradas, dão ordens esquizofrénicas aos reles marinheiros que tomaram o leme: e no seu jogo de mais dividir para melhor reinar, tão depressa impõem mais austeridade como alertam para os perigos da própria austeridade.
Portugal, atraído pela ilusão da publicidade e da grandeza, quis há muito entrar neste paquete de luxo e de velocidade de potência mundial, tendo para isso empenhado a vida, as fronteiras e a sua autonomia que é recorde na história da própria Europa, para comprar um bilhete que nunca foi além da 3ª classe, o sítio sempre reservado aos mais pobres, aqueles a quem os ratos atacam em primeiro lugar.
Agora que o naufrágio é iminente, que é impossível estar “Seguro” e que a “Passos” caminhamos para o abismo, há poucas balsas e as que existem, jamais nos serão destinadas. Estamos no pelotão da frente, finalmente, mas neste caso para morrer afogados.
E se alguns estranharam a atribuição do Nobel da Paz de 2012 à União Europeia, olhem para ele com a dimensão de um Óscar, e assim, pela arte da ilusão, poderão compreende-lo melhor.
A crise Portuguesa é muito mais do que apenas isso, é uma crise Europeia e de desfecho imprevisível porque a austeridade é uma bomba relógio e porque não há mote mais eficaz para a guerra do que o desespero de estômagos vazios. 

Sem comentários:

Enviar um comentário