sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meteoritos, asteróides, magia negra e coisas de Homens


Um asteróide que hoje entre o fim da tarde e o principio da noite passará muito próximo da Terra, um meteorito que caiu na Rússia, nos Montes Urais, ferindo centenas de pessoas, um raio que durante uma violenta trovoada atinge a cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano, em Roma, horas depois do Papa Bento XVI ter anunciado uma quase inédita resignação, hóstias roubadas dos sacrários em igrejas da Diocese de Bragança para utilização em ritos algo estranhos...
Tivesse eu uma inclinação para interpretações metafísicas e hoje durante o meu vício diário de acompanhar o pequeno-almoço com as notícias da manhã e a revista de imprensa nacional, e rapidamente, quão Gonçalo Anes Bandarra do Século XXI, aqui estaria, à semelhança do sapateiro de Trancoso no Século XVI, a emitir as minhas profecias, reconhecendo que as bruxas reunidas algures no Nordeste Transmontano estariam alinhadas com os mais estranhos e ocultos poderes do universo, no patrocínio a uma tempestade cósmica com claros sinais de aproximação ao final dos tempos e ao termo deste mundo a que chamamos nosso.
Das profecias até um possível argumento cinematográfico disponibilizado ao Steven Spielberg, poderia ser um passo curto mas bastante rentável.
Fiquem descansados que não activarei qualquer inédita ou adormecida componente catastrofista do meu ser, e não o farei.
Sendo crente, jamais me recusei a ver Deus como uma espécie de “Adamastor” irado e a mandar raios e meteoritos sobre a humanidade, em jogos do bem contra o mal representado pela medonha figura de Lúcifer, disputas arbitradas por umas quaisquer bruxas de Bragança, visão deturpada e simplista de fenómenos atmosféricos e de natureza física que qualquer especialista é capaz de desmontar em segundos.
Muito pelo contrário, sempre achei que é o próprio Homem que encerra em si a maior grandeza de Deus, tendo a opção de a expressar pelo conjunto das suas opções e acções diárias.
Somos nós, diariamente, as mãos, os pés e as palavras de Deus.
E no contexto da minha revista de imprensa de hoje, entre a torrada com manteiga e o copo de leite, não faltaram também: um milhão de desempregados, um quarto das crianças Portuguesas em situação de pobreza, funcionários que “gerem a crise” e que ganham dezenas de milhares de Euros, Portugal na maior recessão desde 1975, um ex-Secretário de Estado do actual governo que sugere que incentivemos, em puro calão brejeiro, os funcionários do fisco à prática de relações anais quando alguma vez nos questionarem sobre facturas à porta dos estabelecimentos comerciais…
Muito mais apocalíptica é a minha avaliação sobre esta imbecilidade que nos “reina”, que se faz pagar por muito dinheiro e que não tem escrúpulos em ferir o tempo e matar a esperança de gerações inteiras, proporcionando-lhe um muito particular “fim do mundo”, leia-se, a amputação do seu legitimo futuro.
Estes sim são verdadeiros raios e coriscos sobre a humanidade. De mão humana e a exigir uma rápida intervenção da nossa parte.
Porque somos nós que agimos, porque não há destino e há simplesmente um futuro que seremos sempre nós a construir, mesmo longe e com pouca voz, como eu gostaria de ter feito coro na “Grândola, Vila Morena” cantada hoje no Parlamento.
A indignação, e sobretudo a acção, serão sempre as nossas reais provas de vida.
E a justiça, a paz, a liberdade e a preservação da dignidade da Pessoa, mandamentos da fé, são inequivocamente os maiores louvores à criação do Homem.

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