domingo, 14 de abril de 2013

De Miss Simpatia a Miss Universo


No tempo em que as senhoras liam a “Crónica Feminina” e a “Ela – Donas de Casa” sempre na esperança de se poderem converter na mulher ideal da lusa pátria, a Ana Maria Lucas ainda não convivia intimamente com as rugas no rosto e a Vera Lagoa era “O Diabo” e presidia ao júri, organizava-se anualmente no Casino do Estoril, o concurso de Miss Portugal, com o objectivo de eleger a mais bela mulher Portuguesa.
Nesse tempo, quando a Betty Grafstein só deveria andar ainda pelos oitenta anos de idade e o Mário Soares ainda tinha memória e articulava discursos com algum sentido, elegia-se também a Miss Simpatia por votação entre todas as candidatas a Rainha de Beleza.
E assim, qualquer zarolha, marreca ou coxa que estivesse a concurso, tinha a sua oportunidade de brilhar nessa noite de intenso glamour e naftalina, dispondo de uma faixa de seda igual à de todas as outras premiadas.
Bastava-lhe ser simpática… ou nem isso. Muito frequentemente adjectivamos de simpáticos aqueles que não têm grande factura a pagar à beleza:
- Sabes, conheci o namorado da Maria.
- Ah sim? E é giro?
- Beeeem… digamos que é muito simpático.
Ontem, o Conselho Nacional do PSD aprovou um voto de louvor pelos serviços prestados à nação pelo ex-ministro Miguel Relvas e confesso que tal circunstância me devolveu para a memória desses concursos de há muitos anos.
Num “concurso” em que a competência e a dignidade são o que está em jogo, os seus pares de partido votam e põe-lhe uma “faixa” de… boa camaradagem, passando por cima da mentira e da ausência de carácter que ele demonstrou quando a imprensa lhe despiu o fato elegante de homem sério e evidenciou a sua pobreza num patético desfile em “fato de banho”.
Um tiro muito ao lado e a ferir de morte a dignidade e a honradez que se exige a um partido que governe uma nação.
A social-democracia, viúva após a morte de Sá Carneiro, casou com o burguês e novo-rico Cavaquismo ainda a tempo de gerar uma prole de “meninos” incompetentes e mafiosos, que continua a habitar o mesmo “castelo” mas que há muito desperdiçou a herança de dignidade e verdade que lhe foi deixada.
E o Relvas, de simpatia em simpatia, e sempre por equivalência, ainda se arrisca a ser… “Miss Universo”.

2 comentários:

  1. Não tarda nada e o dito "sinhor" volta como herói não compreendido!

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  2. Caro Francisco, já Camões dizia "chefes fracos, fazem fracas as fortes gentes", daí que os "meninos incompetentes e mafiosos" da situação, de tão fracos que são,descaradamente vão aniquilando as poucas energias que restam nas gentes que já foram fortes, talvez nos equívocos da Diáspora, como nos ensinaram na escola do Estado Novo. "Por muito menos o Rei D. Carlos foi assassinado", segundo Mário Soares,um dos desditosos chefes fracos que amoleceram a Pátria, ou a Mátria como dizia Natália Correia.

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