terça-feira, 23 de abril de 2013

Janelas de papel


Era uma vez um rapaz (sim, porque são rapazes e nunca meninos, os rebeldes cavaleiros dos simples entreténs que brincam livres na rua com as cumplicidades do luar) que todas as noites ansiava para que o silêncio da casa que acompanha a escuridão que impõe o repouso das almas, lhe abrisse as portas dos sonhos e por eles o fizesse voar muito para lá daquele ponto onde qualquer Homem julga possível conseguir chegar.  
Sem as amarras das faces que nos marcam os dias, cada noite devolve-nos o doce conforto de uma dedicação exclusiva ao pensamento e à verdade de nós mesmos, com esse benefício acrescido das asas que não conhecem, e não se vergam a quaisquer humanos limites.
Neste ciclo dos dias simples no campo e dessas noites povoadas por milhões de “viagens”, ansiava o rapaz por um momento em que os sonhos entrassem sem que para isso o ocaso tivesse que ocorrer, na momentânea e previsível derrota do sol que faz reluzir a lua.
Dessa esperança se alimentou, e por essa vontade deu mote à magia com tal intensidade, que a viu concretizada numa manhã que trouxe com ela uma criatura apetrechada de super poderes, indescritível e fantástica maga que o convidou a entrar no seu mágico palácio das janelas de papel:
- Cada janela espreita para um sonho. Abre todas as janelas que quiseres, tendo porém o cuidado de nunca as rasgar pois isso matará a magia que a ti e a todos os outros permite concretizar os desejos mais incríveis do universo, tudo aquilo que por entre o passado e o futuro, persiste eterno porque enraizado no mais íntimo de nós.
Pela mão segura, o rapaz deixou-se levar para o palácio e arranjou um canto discreto de onde do alto de um pequeno banco de madeira de assento redondo, diariamente ia abrindo as janelas que carregavam em si esse dom de o fazer sonhar estando acordado e na companhia dos raios de sol.
E assim, também os dias passaram a ter asas…
Conheceu o mundo nas suas grandezas e misérias, aprendeu a conhecer os Homens e de tesouros se encheu na riqueza que só os simples, pela tolerância, conseguem criar pela alquimia das diferenças.
Repletos de bênção do campo, de inverno saboreando deliciosas bolotas assadas num simples aquecedor e de verão bebendo as mais frescas limonadas, os anos foram passando, felizes, até o dia em que a maga teve de partir levando com ela o palácio das janelas de papel, e o rapaz, já homem, partiu para o mundo que antes espreitara, transportando com ele a gratidão expressa pela vontade de um dia também poder “desenhar” janelas de papel, jamais desistindo de sonhar e criar sonhos.
O rapaz sou eu, Joaquim Francisco. E uma janela de papel, cada livro que tive o privilégio de ler ao longo desta história tornada verídica pela magia de uma grande amiga e mestra de sonhos.
Eterna, ela continua a chamar-se Joana.

Dia 23 de Abril, Dia Internacional do Livro. 

1 comentário:

  1. Meu bom amigo.

    Sem duvidas os livros são janelas que nos ajudam abrir, ver e viajar pelo mundo, nem que só seja em imaginação.

    Por isso deves continuar a escrever estes belos textos para todos podermos viajar também.

    Com um grande abraço.

    Deste sempre amigo.

    AR

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