segunda-feira, 29 de abril de 2013

PESSIMUS – All together… later


Nunca antes me acontecera em sítio algum mas chegado a Copenhaga no sábado passado e depois de ter desactivado o modo de voo no I-phone, nem sinal de rede.
Essa fantástica invenção chamada Roaming desaparecera de vez, de nada valendo as dezenas de vezes que desliguei e voltei a ligar o aparelho.
Chegado ao hotel e tendo acesso a um telefone fixo, tranquilizei a família e iniciei a novela Optimus, eu daqui, e amigos e colegas directamente da pátria lusa.
O primeiro número que marquei pôs-me em contacto com um individuo que me disse nada poder fazer pois eu teria de ligar para o Serviço Clientes-Empresa.
Enquanto um amigo já se dirigia à Loja Optimus do Colombo porque aí, diziam, tudo se poderia resolver, liguei o novo número e fui carregando em todas as teclas sugeridas pela voz irritante da “menina” que nos lê o menu de opções como se estivesse em fase de pré-orgasmo.
Chego então à fala com uma nova criatura que me sugere em primeiro lugar que desligue e volte a ligar o aparelho. Apesar de já o ter feito dezenas de vezes, repito-o, e claro, nada.
Acto contínuo, diz ver uma irregularidade no pagamento de uma factura e pede tempo para ir averiguar. Para além de condenado a mudo, a Optimus promoveu-me a caloteiro, algo estranho pois pago as facturas por débito bancário.
Volta a criatura e confirma que afinal os pagamentos estão em dia.
Pede-me para fazer uma busca manual de rede e escolher uma das quatro com quem a Optimus tem contrato. Experimento. Tudo igual.
Tranquiliza-me então e diz que vai ter de reportar o sucedido e que eu aguarde pois serei informado por SMS sobre a situação.
- Por SMS?
Questiono-o e relembro-o de que estou sem rede.
Responde-me:
- Sim. Vai receber um SMS quando estiver tudo resolvido.
Bem. Que espectáculo!
É de ficar tranquilo.
Resolvi não maçar mais a criatura e desliguei, afinal de contas ele é pago com um salário Belmiro Style e não tem de estar a aturar um “chato” como eu.
Entretanto, a solução do Colombo foi a mesma:
- Tem de esperar.
Passaram mais de 48 horas, continuo à espera e de nada têm valido os infinitos telefonemas dos amigos e colegas para a Optimus:
- Tem de esperar.
E cá estou à espera num processo de reaprendizagem de vida sem telemóvel que vos confesso não ser nada fácil. Estamos mesmo dependentes “daquela coisa”.
Já peguei centenas de vezes no aparelho para mandar SMS’s e só depois me lembro quando vejo aquelas palavras “Sem rede” que me activam uma terrível síndrome de privação.
Tendo rede wireless no hotel, comunico por e-mail e através do Facebook, qual Joaquim Crusoé Barreiros enviando mensagens em garrafas de vidro abandonadas numa ilha deserta.
Adoro a Optimus e há sério risco de homicídio se alguma criatura nos próximos tempos me bater à porta para me vender os serviços da dita.
E enquanto não regresso no dia 1, peço-vos encarecidamente um favor:
Se encontrarem por aí o Roberto Leal, a Carminho ou o Rui Reininho, a desassossegarem transmontanos tranquilos que por certo foram subornados através de pontos acumulados no Cartão do Continente, digam-lhes por favor, da minha parte, que vão rapidamente para a… mais pestilenta das defecações.
All together now (todos juntos, agora), não se aplica. All together later (todos juntos, mais tarde) isso sim, talvez quiçá no meu regresso.
Valha-me a Santa Vodafone.

1 comentário:

  1. Meu bom amigo.

    Este texto com esta história é simplesmente maravilhoso, não fosse a chatice de toda a situação.
    É importante e fizeste bem em divulgar o que se passou, para que todos possamos aprender com isto.
    Com um abrço.
    AR

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