segunda-feira, 4 de novembro de 2013

As “casas secretas” do “país das maravilhas”

Depois de ter partilhado hotel no fim-de-semana com uma actriz que não é cantora mas que enche os maiores pavilhões do país para a ouvir cantar ao jeito de um personagem de ficção de uma telenovela da TVI, e ainda no contexto dos fascículos distribuídos diariamente pelo Correio da Manhã sobre a “bárbara” versão Portuguesa e Século XXI de “A Bela e o Monstro”; “encarrilho” na ideia de que em Portugal, ficção e realidade se imiscuem numa larga zona cinzenta onde uma e outra são impossíveis de separar.
Acho também, e na sequência disso, que ter uma “Secret Story“ é definitivamente um “Factor X” para “Quem quer ser milionário”. Se a tiver, não é “Seguro” que atinja o êxito, que sempre pode surgir também por “Portas” travessas, mas por certo dará “Passos de Coelho” para tal, num país posto propositadamente a crescer ao ritmo “alucinante” de uma tartaruga coxa.
E nesta nacional “Casa dos Segredos” a voz é como sempre a do dono, neste caso, a dona, que apesar de não saber expressar-se em Português, utiliza um elementar sistema de tradução simultânea para converter o seu Alemão natal na linguagem seca e mortífera dos Euros, a qual todos infelizmente entendemos. Por vezes até bem demais.
E quando alguém tenta transgredir logo se escuta:
- Dies ist die stimme.
Que é mais ou menos como quem diz:
- Venham de lá mais uns milhões.
Uma sessão do parlamento tem afinal tudo a ver com uma gala dominical apresentada pela Teresa Guilherme, embora no caso do hemiciclo, a loura seja menos espampanante, esteja habitualmente sentada e tenha uma leve pronúncia à moda de “Bigeu”.
Os intervenientes, ausentes e presentes, mas todos, figuras distintas do “programa”, leia-se nação, têm os seus segredos bem (ou mal) guardados. Nesta camuflagem dos vícios privados pelo “manto diáfano” de um tão ténue e falso sentido de responsabilidade, o maior artista é sempre o que melhor esconde os seus próprios segredos (ou os da sua trupe):
- “Forrei a marquise com o dinheiro que ganhei no BPN”;
- “A minha mulher é pobrezinha mas o meu genro comprou o Pavilhão Atlântico”;
- “Em Paris, mantive uma relação incestuosa durante dois anos com o PEC IV”;
- “Tirei a licenciatura por fax a um domingo”;
- “Travesti-me de doutor”;
- “A minha mulher vai à missa e eu vou para a Fundação dormir a sesta e sonhar com o Miterrand”;
- “Adoro submarinos e ainda irei jogar à Batalha Naval no Alfeite”;
- “Quero muito reformar o Estado mas dado que a Troika recomendou o aumento da idade da dita, a reforma fica para depois”;
- “Sou ex-toxicodependente no que a aplicações financeiras de empresas públicas diz respeito”;
- “Já fui a um casting do La Feria e no duche canto sempre a Nini dos meus quinze anos
As nomeações para a saída da casa (do poder) são feitas semanalmente pelos concorrentes com recurso às capas de distintos jornais e, de tempos a tempos, o público é chamado a votar as expulsões (ou não) através de chamadas que só são de valor acrescentado para a produção do programa (Orçamento de Estado) pois para o votante têm um sistemático valor subtraído às pensões, subsídios de férias e Natal, ordenados, etc.
O conteúdo pornográfico é em tudo semelhante ao do programa da TVI embora o televisivo seja bem mais pudico pois usa e abusa dos edredões. Na nação é mesmo tudo às claras e sem dó nem piedade.
Por isso sempre podemos dizer que estamos… lixados. E neste caso sem margem para quaisquer dúvidas pois não é ficção e é a mais pura realidade.
Precisa-se pois com urgência de uma nova grelha de programas mas já agora com um pouco mais de… chamemos-lhe decência.

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