quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Pedro Álvares “Ronaldo” e a (re) descoberta do Brasil

Já está. O Ronaldo demonstrou ser melhor a tratar as bolas do que os Suecos produtores de almôndegas e o Paulo Bento provou que monta estratégias de vitória de uma forma muito mais eficaz do que os senhores do IKEA na hora de montar psichés de pinho, e por isso… vamos ao Mundial de Futebol que no próximo ano se realizará no Brasil.
A nação vibrou com o feito, embora talvez com menos entusiasmo do que é normal nas vitórias dos clubes, porque isto de eu ganhar e o meu vizinho também, não tem lá muita graça. Vamos fazer pirraça a quem? E vamos assobiar para onde? Para a porta da Volvo? Da Atlas Copco? Do próprio IKEA?
Perante os festejos logo se levantou também um coro de críticas ao jeito de tragédia e com acusações de alienação.
Com a crise que vivemos como é possível que alguém possa festejar e gritar golo? Como se o momento exigisse que nos fechássemos todos numas caves e envoltos em panos negros a escutar em perfusão sonora os discursos do Jerónimo de Sousa, da Heloísa Apolónia ou da Catarina Martins.
Por favor, a forma como o Ronaldo dá pontapés na bola pode ser muito mais inspiradora na hora de dar pontapés nas ditas dos patrocinadores da nossa crise, mas claro, se lhe encontrarmos as bolas, pois é coisa que neles raramente se encontra no sítio.
Como se o facto de festejarmos a vitória num jogo de futebol nos fizesse esquecer que há o Passos, o Portas, o Orçamento de Estado e os cortes que nos deixam mais pobres?
Estão todos infelizmente tão presentes que uns golos e uns goles de cerveja até servem para nos aliviar a dor.
Não deixa também de ser irónico, ver os pretensos defensores do povo a passar-lhe um atestado de estupidez assumindo que o futebol poderá fazer esquecer tudo o resto. O povo é inteligente e sabe distinguir os territórios onde se movimenta. Que o digam alguns políticos após as últimas autárquicas?
Do outro lado da “barricada” e perante os festejos do Ronaldo, outro coro se levantou desde logo: é tão vaidoso!
Na Antena Aberta que há pouco escutei na Antena 1, um ouvinte Português afirmou desejar o pior para Portugal no Mundial do Brasil e odiar o Ronaldo porque ele nunca fazia adeus ao povo quando ia com os colegas no autocarro da selecção.
Por favor, por mim ele até pode ir a jogar às cartas com a Irina no banco de trás.
Num país de baixa auto-estima, o mínimo de amor-próprio é facilmente e desde logo confundido com vaidade. O Ronaldo é mesmo bom, tem consciência disso e desfruta naturalmente desse benefício de ser o melhor do mundo. É normal.
Patético seria o homem dizer que era bom e depois ser realmente péssimo, por exemplo, a figurinha que o Sócrates faz semanalmente na RTP.
Mas, Portugal é o único país do mundo que é auto-suficiente na crítica de má índole. Ao contrário de outras matérias, nesta não precisamos mesmo de importar nada porque somos muito mais eficazes a criticar-nos do que qualquer estrangeiro que possa referir-se a nós.
E então quando falamos de êxitos…
Homem bonito ou mulher bonita que tenha êxito foi porque se “deitou” com alguém, se são feios é porque devem ter bons padrinhos e, em algumas situações, ainda se arrastam os feios para os territórios da cama colocando aquela terrífica hipótese de os seus genitais terem encantos que o rosto desconhece.
Porque Portugal convive bem melhor com a desgraça e com a derrota, tendo sido por aqui que se inventou aquele conceito do “sair de cabeça erguida” que é uma posição anatómica que eu não entendo: a cabeça erguida é para não perdermos pitada do ar de gozo dos nossos adversários?
Se um dia tiverem tempo vão ao youtube e procurem o festival da Eurovisão de 1974 em Brighton, Reino Unido, e vejam as actuações de Portugal e da Suécia. Um senhor chamado Paulo de Carvalho, sozinho em palco, arrasa toda a delegação Sueca na sua actuação. No final, ele sai do concurso em último lugar e os Suecos saem como vencedores no momento que revelou ao mundo um grupo chamado Abba.
Ontem foi ao contrário e mudou-se o paradigma da desgraça e da bendita “cabeça erguida” e até fomos nós que “esmagámos” a Pepsi.
Para o ano, lá para o mês de Junho, entre o fim ou não da Troika e os programas cautelares da União Europeia e dos leilões da dívida, se pudermos aliviar a pressão nuns pulos patrocinados pelos golos do Ronaldo seremos por certo bem mais felizes.
E viva PORTUGAL.

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